F E L I Z N O V A D I E T A | juliolemos.com | kostenlose hipster philologie

I’m getting WENDIGO over you

Vivem me pedindo conselhos envolvendo o que o vulgo esclarecido chama de ´maturidade nas relações´, uma mistura indigesta de duas coisas odiosas (a saber, ‘maturidade’ e ‘relação’ — lembrando que é muito pior ‘relação interpessoal’, já que, indicando o contexto que se trata de pessoas, o ‘interpessoal’ definitivamente sobra delícia). Além de não acertar nos conselhos dados a mim mesmo, costumo cometer o crime de os dar a quem quer que mos peça. Não raro o arrependimento me vem bater à porta.

Mas as relações existem — embora o foco deva ser não as relações, mas as pessoas — e a maturidade não é palavra vazia. De nada importa o ridículo no soar das palavras, como venho repetindo há anos: amorrr, maternidade, casamento, fidelidade, mousse de maracujá. Nossa estupidez às vezes é tanta que deixamos de considerar um assunto por trazer consigo uma carga aparentemente reacionária ou indigna do nosso status de pessoas descoladas. A realidade tem um sentido que transcende o ridículo e o coolness — e fugir dela é, de qualquer modo, o que há de mais ridículo na fas da terr. Por isso o primeiro passo, sempre, é jogar para o alto os preconceitos das massas e adquirir um pouco de fidalguia e independência intelectual (o que, cá entre nós, é algo cool e charmoso).

Subseqvente é a questã — eis a questã — dos gostos e desgostos, que os traficantes lá da Augusta chamam “pegas e não-pegas”, rigososamente lógicos e conseqventes que são. Um relacionamento é, antes de mais nada, um vínculo; e um vínculo que, tendo sido criado por entes racionais, procede de uma escolha. Ela pode ter sido motivada em parte por um impulso irracional; mas esse impulso não é a sua substância. A sua natureza é sempre voluntária, fruto de pessoas livres. Isso é tão óbvio — após 2400 anos de debates com similar conclusão — que muitas vezes me vejo apontando para pessoas que não o compreendem, dizendo: “isto não é um homem, isto é um celenterado”. Obviamente há o direito de discordar (só lembrando que argumentos irracionais sempre excluem uma pessoa de um debate).

Por isso um relacionamento – argh, eca – maduro é, antes de mais nada, um relacionamento entre pessoas inteligentes e conseqventes, que não estão ao sabor dos gostos, humores e vezenquãs sim venzenquãs não, essas coisas fofinhas e muita vez babacas. Isso requer treino e disciplina — o que não é difícil e nem demasiado doloroso. A vida é sempre mais difícil para os caprichosos.

When full of whim, / heavyburden’d till death shall he be, etc

* * *

De qualquer modo, nem eu me levo a sério. Palavras pesadas como “disciplina” e “trabalho” também me assustam hein.

* * *

Segunda-feira cinza em São Paulo; rodeado de paulistanos simultaneamente agitados e melancólicos. Sinto-me uma pessoa comparativamente realizada nesse ambiente soturno. Ame as segundas-feiras e o problema do sentido da vida estará resolvido (NOT).

Se vocês esquecerem que sou humano saio dando tiros aí ni vocês.

Escrito por julio lemos, postado em 1 de março de 2010 às 19:33, arquivado em Handlung e com as tags . Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.