F E L I Z N O V A D I E T A | juliolemos.com | kostenlose hipster philologie

Au revoir le marketshare

Ahm, os mistérios da burocracia. Lá atrás vivia eu nos Fóruns pensando estar numa novela obscura, onde juízes praticavam 23 Skidoo, estudavam sânscrito escondidos sob a mesa da sala de audiências, subvertiam a maçonaria e colecionavam pistolas alemãs. Observar atentamente os funcionários, os advogados e promotores me fornecia idéias para romances – e é uma pena dizer isso, eu que não sou gnóstico, eu. Roubava livros e os devolvia, inseria piadas internas em petições, sonhava com 12 milhões de euros e uma BMW modelo 1994 (uma relíquia de tempos sombrios). Sempre querendo fugir do comum, entrando ironicamente no esquema para conservar intactas as hipotecas e os penhores metafísicos.

A vida literária onde não há.

Mas agora abandonei tudo. Abandonei tudo no ontem e continuo seguro de que os erros são diabólicos, malgrado haja esperança de que o plano B não seja tão ruim. Sim, é fato que QWERTY não é o meu esquema. Inverteste as letras? HUMPTY terás. A pergunta um tanto bizantina é se és retardado o suficiente para não o notar, Horace Lemos. Ser melhor – ahm, podemos declarar que são cinco as virtudes cardeais ou é necessário que sejam quatro, vez que os cardines são paritários? – é uma questão de brios e escadas rolantes.

Fazei o mal que não quereis, e invertereis SAMSARA. Porque de crises orientais estamos cheios, nicht wahr?

Em torno dos cadáveres reunir-se-ão, com fogo selvagem, os abutres. Aham, cof cof, yes – congregabuntur et AQUILAE.

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Não há romance na economia; mas há poesia nos algoritmos por trás dos códigos de programação – direi, nos próprios códigos, já que code is poetry. Também há na estranha tipografia dos artigos de Cantor publicados enquanto ele vivia (Cantor aparece até nas teses de direito romano). Maus exemplos, aos montes.

A perda de um olho atrai algum tipo de inteligência. Não sei se profundidade. Perguntem a Épipo, que foi rei e está por dentro do negócio.

Escrito por julio lemos, postado em 18 de dezembro de 2009 às 8:26, arquivado em Caolhices e com as tags , , . Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.

Übereinstimmung

Leia no Érico Nogueira sobre Leopardi e Virgílio. Ave, Vergili!

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Diz J. García-Huidobro, gracejando: “… não faltam pessoas que parecem estar embriagadas com a ideia de quebrar dogmas, tabus e barreiras. Acontece que gente como eu, que cresceu no campo, costuma amar os dogmas e apreciar os tabus. Mais ainda, procurei fazer ver a esses amigos que essas duas coisas nos distinguem dos macacos” (Una locura bastante razonable, 2009).

Li esse negócio ontem à noite e o riso me tirou o sono. Sonhei com pessoas fugindo de palavras assustadoras, deixando seus chapéus caírem e assumindo uma forma simiesca (um amigo diria, em francês, “transformando-se em abajures”).

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Às vezes teimo em gostar de bandas ruins; depois que ouvi a discografia completa do Keane, descobri que andava gostando de uma banda bem medíocre. E continuo gostando, apesar deles soarem adocicados, light demais. O vocalista tem uma voz muito boa; é afinado; modula muito bem; mas é meio afrescalhatto. Bom rapaz, todavia. Ele prova que tem algum talento em “Hamburg Song”, que traz aquele dístico pouco elisabetano:  Say a word or two to brighten my day, etc. A idéia até que é boa no geral, mas não convence. Ainda assim, a música é até bonita, se você joga seu constrangimento para o alto e assume que adora uma bandinha medíocre vezenquando.

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Mais um trabalho sobre direito medieval; mais uma bibliografia interminável com tipografia gótica; mais uma passagem obscura do decretum de Graciano e eu fico maluco (tenho passado dias inteiros nesse oscuro-oscuro, sem chiaro). Ou míope.

Fui ali andar de skate e já volto.

Escrito por julio lemos, postado em 16 de novembro de 2009 às 16:57, arquivado em Handlung e com as tags , . Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.