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Notas de outro #1

Estou com saudades do Paulo Francis. Por que você se foi, meu caro? Até os seus óculos, Paulo, eram legais – porque me lembram o meu avô, secretamente um grande amigo seu (ouvir Frank Sinatra é lembrar de vocês dois e sofrer). E você tinha uma sinceridade elegante, e você sabia ser irônico (embora isso lhe tenha causado, talvez, a morte – depois daquele maldito processo judicial, certo?), e você estava tão longe tão perto de nós.

Perdemos o sense of humour. Parte dele se foi com você.

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A realidade tem uma vocação sublime: a de nos meter em enrascadas.

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Alguma coisa me dói profundamente. Tão profundamente, que chego a fingir que é dor.

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Novembro é o mês das ambigüidades, das tragédias, da falta de tempo. O dito de Eliot vale, no Brasil, para este mês:

November is the cruelest month, etc / Mixing memory and desire.

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O tradutor é um “novo escritor” e um taumaturgo caldeu.

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Para entender Eliot é necessário aprender a passar das imagens ao pensamento, do pensamento às imagens, sabendo que se trata sempre de uma analogia difícil (uma alegoria dantesca, às vezes), que toma o caminho mais longo.

Poesia épica: Homero, Virgílio, Dante. E acabou-se, e nunca mais. Só no Juízo Final.

Para aprender a escrever, amar as coisas inúteis – decorar passagens do Código Civil francês, ler anualmente a Eneida, enfurecer cachorros protegidos pelos portões e fazer libações aos deuses. Sonhar com a obscuridade de um pagão. Escutar as lições dos gnósticos como se fôssemos tão ou mais estúpidos.

E depois perder da vida por W. O.

Escrito por julio lemos, postado em 24 de novembro de 2009 às 8:04, arquivado em Caolhices e com as tags , , , . Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.