F E L I Z N O V A D I E T A | juliolemos.com | kostenlose hipster philologie

Sax and violins

H. passou a vida recolhendo informações para um dossiê sobre a seita “N”, cujo objetivo — posto por escrito nos documetnos fudancionais — era provar que o perigo da ausêcnia da letra “n” em “Santa”, ou pior, o seu potencial deslocametno ou esquecimetno (=Sa[-n]ta, Satan) é a prova de que só podem haver *homens* na categoria dos santos. Descobriu ao final que todos os seus membros, com excepçãn do fundador, eram alfabetizados, obedientes e secretametne feministas (=femiinstas).

Revisores, vigiai, porque o leão está a rugir, buscando a quem devoraire.

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F. C. S., brasileiro, cútis branca, 46 anos, incomodado com o barulho produzido pelo vizinho em pleno carnaval — bastante elevado, embora não a ponto de chocaire um técnico da polícia administrativa ambiental –, tomou do seu 380 carregado com 22 “projetís”, foi até o proprietário da casa em ritmo de festa e desferiu sobre ele, nele e através dele, 8 tiros. Não errou nenhum. O pessoal todo parou de dançar e ficou boquiaberto.
 
As fotos não são simpáticas, mas conquistaram nossos corações.

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O processo de compreensão do que é a moral, mesmo do ponto de vista disciplinar da filosofia, é semelhante àquele intentado por Pablo Picasso: (des-)(re-)aprender a desenhar e a ver as coisas como uma criança. Quem pôs as mãos e os olhos no monumental “Praktische Vernunft und Vernunftigkeit der Praxis” de Martin Rhonheimer sabe a que ponto chegou a filosofia moral em refinamento conceitual e sutileza argumentativa; mas aprende também que a ação moral é extremamente simples, límpida, e que justamente por isso é impossível descrevê-la completamente e compreendê-la — em sentido estrito — conceitualmente; e que o erro dos idealistas, praticamente repetido em Kant, é crer que seja possível “colocar a ética no papel”, permitindo que o agente aja com base em normas formuladas (onto?)logicamente.

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Costumo julgar o grau de inteligência de uma pessoa usando como critério: a) o bom gosto e a independência intelectual; b) a habilidade filosófica em tratar de distinções, formular logicamente os problemas e argumentar; c) a erudição, incluindo o conhecimento de línguas; d) o sentido de mistério e abertura à riqueza da existência (tenho em mente Victor Frankl e Chesterton).

Muitas pessoas que parecem inteligentes na verdade só brilham em um ou dois dos primeiros campos acima (”a”, “b” e “c”). O quarto campo é excepcionalmente difícil; e acaba por excluir meio mundo (na verdade, 99,999%) do campo das pessoas *realmente* inteligentes. Pessoalmente conheço só um ou dois caras assim; o resto vive de aparências ou, muito melhor, não se gaba de ter o que não tem, contentando-se com suas limitações (o que é nobre e louvável).

Escrito por julio lemos, postado em 22 de fevereiro de 2010 às 9:51, arquivado em Caolhices, Filosofia e com as tags . Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.

Au revoir le marketshare

Ahm, os mistérios da burocracia. Lá atrás vivia eu nos Fóruns pensando estar numa novela obscura, onde juízes praticavam 23 Skidoo, estudavam sânscrito escondidos sob a mesa da sala de audiências, subvertiam a maçonaria e colecionavam pistolas alemãs. Observar atentamente os funcionários, os advogados e promotores me fornecia idéias para romances – e é uma pena dizer isso, eu que não sou gnóstico, eu. Roubava livros e os devolvia, inseria piadas internas em petições, sonhava com 12 milhões de euros e uma BMW modelo 1994 (uma relíquia de tempos sombrios). Sempre querendo fugir do comum, entrando ironicamente no esquema para conservar intactas as hipotecas e os penhores metafísicos.

A vida literária onde não há.

Mas agora abandonei tudo. Abandonei tudo no ontem e continuo seguro de que os erros são diabólicos, malgrado haja esperança de que o plano B não seja tão ruim. Sim, é fato que QWERTY não é o meu esquema. Inverteste as letras? HUMPTY terás. A pergunta um tanto bizantina é se és retardado o suficiente para não o notar, Horace Lemos. Ser melhor – ahm, podemos declarar que são cinco as virtudes cardeais ou é necessário que sejam quatro, vez que os cardines são paritários? – é uma questão de brios e escadas rolantes.

Fazei o mal que não quereis, e invertereis SAMSARA. Porque de crises orientais estamos cheios, nicht wahr?

Em torno dos cadáveres reunir-se-ão, com fogo selvagem, os abutres. Aham, cof cof, yes – congregabuntur et AQUILAE.

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Não há romance na economia; mas há poesia nos algoritmos por trás dos códigos de programação – direi, nos próprios códigos, já que code is poetry. Também há na estranha tipografia dos artigos de Cantor publicados enquanto ele vivia (Cantor aparece até nas teses de direito romano). Maus exemplos, aos montes.

A perda de um olho atrai algum tipo de inteligência. Não sei se profundidade. Perguntem a Épipo, que foi rei e está por dentro do negócio.

Escrito por julio lemos, postado em 18 de dezembro de 2009 às 8:26, arquivado em Caolhices e com as tags , , . Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.

Speakers Corner

A independência – ao menos até onde isso é possível e adequado – é um grande bem. Não podemos, entretanto, buscar a singularização simplesmente com base nos gostos pessoais. A singularização mais nobre é a fidelidade a coisas menos cada vez menos passageiras: a literatura, os cafés com os amigos, o amor.

E tentar ser um homem independente a todo custo é já um sinal (e uma causa) de profunda dependência. Tudo o que tem a ver com o comportamento é deveras paradoxal; não há sistemas que o possam capturar e classificar. Por isso a opção de um Pascal, de um Gomez Dávila, de um Nietzsche, de um Andrei Tarkovsky pelo fragmentário. Desde que um fio, mesmo sutil, prenda toda a narrativa.

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O superficial tem o seu charme, mas embota tudo – e com o tempo acaba por tornar até o charme uma chatice.

The road of the superficial leads to the Palace of Boredom.

Paródia de Blake, dã.

Escrito por julio lemos, postado em 28 de novembro de 2009 às 10:00, arquivado em Handlung e com as tags , , . Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.