Já que o nome deste blog mantém insistentemente essa relação direta com a comida — lembro da frase “só o homem de espírito sabe comer” –, vamos lá brincar de gola rolê (crítica de restaurante néam).
1. No último sábado, fui com alguns amigos ao Le Vin, um conhecido bistrô localizado na Al. Tietê, 184, nos Jardins (com pontos em outros bairros). A escolha do lugar se deve à Maria Celina <3, que já o conhecia – não foi nenhum ‘blind date’ gastronômico, portanto. Um ponto negativo já fica registrado, embora não acredite que isso se vá repetir: conquanto minha reserva tivesse sido feita há pouco menos de uma semana, ela simplesmente não existia quando os primeiros convidados chegaram ao local (alguém deve ter sido chicoteado, porque uma garçonete me pediu detalhes sobre quem [não] teria registrado a reserva). Thumbs down potentes para isso; mas tudo se resolveu. O resto se compõe de pontos positivos. A carta de vinhos é extensa e pedante, como o diabo goshta: há muitos, muitos vinhos franceses e nenhum, nihil nihil, proveniente do Chile (é como se o Chile não existisse); a adega, a propósito, é supimpa e fica à vista das galeeren que sobem ao mezzanino. Para registrar, pedimos duas garrafas de um Borgonha muito acertado, modéstia às favas: Mommesin Pinot Noir 2006 — uma centena de reais cada, bom preço para um restaurante (isso é um ponto muito positivo). O cardápio é clássico e previsível, para conforto do cliente; imprevisíveis só as batatas (o prato da Celina veio com pommes fries cortadas, como se diz?, em formato de lsdjklsadjl, e o meu as trouxe em formato palito). Já deixo minha recomendação: polvo grelhado à provençal, um prato incomparável, para você deixar o seu pai e a sua mãe felizes (ou com ciúmes do chef, caso eles cozinhem bem). Não posso falar dos outros pratos e nem das entradas, mas pela satisfação geral da rapeize é possível dizer que se trata de uma escolha com garantia de acerto.
Apricot hits the dulliest growth / binding Bullocks out of the bad wand
(de Eliot: April is the cruellest month / breeding Lilacs out of the dead land)
2. O Diner 210 fica no bairro de Higienópolis, na Rua Pará, 210. Restaurante idealizado pelo chef Benny Novac e seu sócio Renato Ades e no mencionado endereço estabelecido, ao que parece, no começo deste ano de 2010 depois do nascimento de N. S. J. C. Comida tipicamente americana, despretensiosa e delícia. Não aceitam reservas (e nem aceitam VISA, acho que temporariamente), e creio que o sábado à noite seja um dia difícil; melhor deixar, para bem da tranqüilidade, da paz e do progresso dos povos, para o domingo à noite, a partir das 20 ou 21:00. A decoração é bastante muderna e sóbria: madeira levemente escura, cinza nas luminárias (meia-luz: não é bom para fotos sem flash néam), ilustrações aleatórias. Sonzinho, ao que parece, pré-programado, segundo impressão do Thiago: rolou jazz básico, anos 80 e Janis Joplin. Atendimento bom e cortês — e o garçom usa All Star, o danado. Vamos lá: cardápio cool, com a presença estranha mas agradável de um French Burger feito com lâminas de trufas negras (não é chocolate, mané, é fungo), hamburguer e outras coisas legais — vou experimentar da próxima vez; hamburguer clássico com MUITA carne, hotdog, grelhados e whatnots. Agora as batatas / onion rings vêm junto com o prato e em nada acrescentam em preço. Também têm rosbife, corn beef, bacon bacon bacon, omeletes, matzo ball, etc. Com 60,00 você faz a festa e vai feliz pra casa. Dá pra ficar horas conversando com seus amigos e ninguém vai encher o saco. Indicação do casal Thiago Blumenthal e Juliana Cunha.
Escrito por , postado em 9 de março de 2010 às 23:18, arquivado em Gastronomia e com as tags gola rolê. Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.
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