Os velhos tempos. Conversa para boi. Dormir fora de casa é picaretagem. Dizia um amigo na última quinta-feira: “união estável é coisa de maloqueiro”. Alguns dos que estavam na sala ouviram: era uma declaração cheia de prudência, com aquele ódio escondido às pessoas que usam óculos de eletricista, Ecumênicos Anônimos, nanopilantras, Fundadores de Bandas Obscuras Que Não Saem na Rolling Stones, hackers de Pense-Bem, etc. Aquele cartaz tipograficamente perfeito que um alemão colou em todas as portas das bibliotecas da Universidade de Munique: G E F U N D E N / F O U N D. Uma câmera fotográfica e um handy dos bons valendo mais de 1000 euros. Procurava o dono para devolver – prometia ir até a casa do sujeito entregar os objetos perdidos, como se fosse um office boy leitor de eremitas do deserto. Bastava que o dono saísse da sua letargia e ligasse no celular do cara. União estável – esse ersatz suicida do amor. Defendo o amor como quem morre de. “Não, por favor, tire esse Fritz Schulz da minha frente”. No prefácio ao seu “Classical Roman Law”, essa obra máxima do estilo, hino ao bem-escrever – uma ofensa à retórica dos juristas-advogados -, Schulz pisa na bola ao ver no divórcio romano um ideal moderno. Os romanos odiavam o divórcio – foram os amigos do Petrônio, aqueles helênicos filo-egípcios, os poetas do contubérnio, os responsáveis por essa bagunça.
Os heróis do vazio já estavam lá.
Escrito por , postado em 17 de outubro de 2009 às 23:00, arquivado em Caolhices e com as tags gefunden, união estável, vazio. Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.
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