F E L I Z N O V A D I E T A | juliolemos.com | kostenlose hipster philologie

Burocracia

Insônia: não tenho. O que existe é a vontade de fazer muitas coisas e não perder tempo dormindo.

Eros & Hypnos, Cadmo & Terpsícore, Dionysios & Belle & Sebastian. Apolo foi inscrever-se no SENAC e djá volta.

Bitte hör mal: könnten wir nur einfach doch zusammen sein, so wie unser Udo damals gesungen hat? Was für eine Familie möchtest Du? Tägliche Unterhalten, soziale Vorlesung, bürgerliches ‘confort’ – die Arbeit der herzlichen Leuten, sozusagen -, ich bilde mir ein. Und was noch? Stell dir vor, Beliebte Du: die Unvorstellbarkeit von Erkenntnissen, die im Denken streng nachgewiesen werden können…

* * *

Anything with ‘clusters’ would do. Lonely and flat, curly with Jams Whatsoever. Hail old maids that come straight chez toi to do the cleaning, them. Put into ashes: the glory exhaled from Sunday mornings – for I said Susan Sarandon would do. Shall we go to the movies? Shall we use our trousers to the bottom roll’d? Is it well-forged, is it fashion’d like Blues after whimsicale afternoon tea? From China, afternoon tea I say? Them Victorian junkies, them. They come for Burroughs and exeunt with Goethe’s gesammte Werke.

Learn from Horace Lemos: violer d’Amores, sub umbra captivus quandoque inimici in limine stant: sta berber, juvate, Lases, castos amores memento, Lases ante saecula nati. Vaticana circa 1987, egomet Vergilius ebrius in saltibus Kelinae, virago sicut Dido, speculum mortis, satis.

A mesure qu’on a plus d’esprit, on trouve qu’il y a plus d’hommes originaux. Les gens du commun ne trouvent pas de différence entre les hommes, sagte Pascal. Carimbo e tomo notas.

Escrito por julio lemos, postado em 17 de dezembro de 2009 às 7:40, arquivado em Caolhices e com as tags , , . Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.

Silogismo

Tenho cá um recuerdo, um incidente estranho cujo nexo não termino de entender. Numa circunstância nem um pouco poética – num dentista -, conversava com Bruno Tolentino sobre… poetas. Então falamos em Elizabeth Bishop, a poeta de Massachusetts (entre as maiores do séc. XX), e Bruno falou em despedidas e aeroportos – teria encontrado a senhorita pela última vez num aeroporto, solitária e desamparada. Eu, que não conhecia e não conheço de cor “O Mundo como Idéia”, não fiz nenhuma associação poética. E depois, inocentemente, mencionei a sua morte, cuja data não conhecia.

Bruno empalideceu um pouco e disse que não sabia que ela tinha morrido.

Isso não bate nem um pouco com os dados que tenho. Se acompanhava a trajetória da poeta, devia saber que tinha morrido… em 1979. A minha primeira idéia foi pensar que eu teria falado em outra poeta americana – mas o poema que encontrei hoje em “O Mundo como Idéia” confirma que falávamos de Bishop:

IV. Aeroportos

II

Elizabeth Bishop partiu

como partia sempre: sem anúncio,

sem adeus, revoada no vazio.

Só que, deixando a frase sem assunto,

interrompeu-a interrompendo tudo

e cortou – como um tiro de fuzil

a noite mexicana – aquele fio

que pelos labirintos deste mundo

tece a tapeçaria dos poetas.

Yeats na cova, Wystan evocara,

não sei por que, aeroportos desertos.

Naquele, entre sombreros e cachorros,

de um corpo inerte, inútil minotauro,

pendia uma cabeça sem socorro.

Veja que Bruno não parece falar da sua morte, mas de uma despedida no aeroporto (o que bate com a conversa citada). Nada impede, entretanto, que falasse também da morte de Elizabeth Bishop. Minha única saída é pensar em um lapso de memória terrível diante do dentista.

PS. É bom lembrar que, à época, Bruno era freqüentemente hospitalizado em virtude de mil e uma complicações e enfermidades.

Escrito por julio lemos, postado em 4 de dezembro de 2009 às 9:11, arquivado em Literatura e com as tags , , . Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.

Speakers Corner

A independência – ao menos até onde isso é possível e adequado – é um grande bem. Não podemos, entretanto, buscar a singularização simplesmente com base nos gostos pessoais. A singularização mais nobre é a fidelidade a coisas menos cada vez menos passageiras: a literatura, os cafés com os amigos, o amor.

E tentar ser um homem independente a todo custo é já um sinal (e uma causa) de profunda dependência. Tudo o que tem a ver com o comportamento é deveras paradoxal; não há sistemas que o possam capturar e classificar. Por isso a opção de um Pascal, de um Gomez Dávila, de um Nietzsche, de um Andrei Tarkovsky pelo fragmentário. Desde que um fio, mesmo sutil, prenda toda a narrativa.

* * *

O superficial tem o seu charme, mas embota tudo – e com o tempo acaba por tornar até o charme uma chatice.

The road of the superficial leads to the Palace of Boredom.

Paródia de Blake, dã.

Escrito por julio lemos, postado em 28 de novembro de 2009 às 10:00, arquivado em Handlung e com as tags , , . Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.