Relendo ‘A Handful of Dust’, de Waugh.
Um amigo meu ficou chocado com o cinismo desse Evelyn Waugh recém-convertido ao catolicismo – ele que tinha dito que tivera de escolher entre o cristianismo e o caos, acrescentando que “não é possível aceitar as vantagens da civilização sem dar crédito àquilo de sobrenatural que a fundou”. Pois bem, Waugh carregou no seu humor negro depois de abraçar a Cristo. Um paradoxo? O que se pode dizer, sem muita polêmica, é que sua congênita capacidade de enxergar as misérias do mundo foi apenas amplificada: como quem toca “Evil Has No Boundaries” do Slayer usando duas caixas estereofônicas (adoro esses termos da eletrônica do final dos anos 70) de 30 kg cada uma.
Já temos visto mais de um indivíduo derretendo-se diante de um i-phone (um dos grandes triunfos do cristianismo) e, ao mesmo tempo, curvando-se às superstições pagãs.
Às vezes é necessário conceder aos pagãos, que em muitos aspectos – naquilo que não interessa à moral do “veadinho contemporâneo” – têm sido jogados para escanteio. Voltemos um pouco ao paganismo. Vamos ceder, por exemplo, à sua maravilhosa ética sexual. Os romanos de raiz eram fanáticos pelo casamento, tolerando o divórcio como um recurso dos fracos; os filósofos e trágicos gregos abominavam qualquer excesso em matéria de castidade (porque faziam do homem uma besta), e nisto estavam apenas suavizando o espírito antigo, que apedrejava os adúlteros e presenteava os incontinentes com a execução sumária.
Êta mundo cretino.
Escrito por , postado em 16 de outubro de 2009 às 10:18, arquivado em Handlung, Literatura e com as tags civilização, cristianismo, Evelyn Waugh, i-phone, paganismo. Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.
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