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Male fashion trends

Geek Chic. Quer ser um nerd com charme? Óculos, gravata borboleta, gravatas acadêmicas, relógios Cassio, etc. Se você nunca procurou a moda, ela vai até você, ó rapazinho estudioso.

Para o casual wear:

Casual wear features on trend tee shirts emblazoned with old album sleeve artwork, and a 1950s rockabilly look combined with underground band image.

Isso eu tinha previsto ano passado, seus atrasados.

A melhor moda é aquela que deixa liberdade – que não obriga o sujeito a pedir desculpas por ser uma marionete. A moda 08/09 tem sido: well, do whatever you want as long as it appears charming. E isso é legal.

Em 2007 me parecia que tudo que o que fosse 40’s ou 50’s estava valendo – tudo o que for masculino de verdade, charmoso e de bom gosto. Até alianças no dedo. Isso confirmou-se neste ano.

E lá estão, imbatíveis, Cary Grant, Clark Kent e Humphrey Bogart.

Escrito por julio lemos, postado em 3 de dezembro de 2009 às 7:24, arquivado em Moda e com as tags , . Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.

Des choses révélées

Falando em bandas simpáticas, aí está Bat for Lashes – pouco conhecida no Brasil e deveras reconhecida na Europa, especialmente na Inglaterra e na Alemanha. Trata-se de um projeto da cantora inglesa e de raízes paquistanesas Natasha Khan – uma bacharel em Música e Artes que toca piano, harpa e outras coisas esquisitas e foi influenciada por Nirvana e Steve Reich… Conheci-a ouvindo “Daniel”, do álbum Two Suns, lançado em março de 2009, quando essa música começou a ser transmitida obsessivamente por uma DJ de uma rádio de Munique; há tempos não exclamava aquele “opa, isso é bom”. É verdade que ela não canta bem: não tem potência e faz uso quase que desesperador de falsetes (como em “Moon and Moon”); mas os produtores e artistas que a auxiliam fazem um bom trabalho no background – a mistura do gótico dos 80s com alguma coisa paquistanesa é de fato curioso. Vale a pena conferir.

* * *

É difícil dizer para onde caminha a Moda e a Arte nesse final de década (sim, estamos no final da primeira década do séc. XXI, para quem ainda não percebeu). Algo que já passou, mas que na prática tem sido repetido over and over again é o chamado pastiche. Nos anos 80, com a onda efetiva que depois se costumou chamar pós-moderna, o trend teórico era abusar do retrô e de uma espécie de trompe l’oeil – imitar certos estilos enterrados pelo tempo ou aplicar a eles a técnica da bricolagem/colagem, como nas obras de Robert Rauschenberg. Isso, por incrível que pareça, saiu de moda no campo teórico – os arquitetos que falam em “pós-moderno” hoje são velhos que pararam no tempo -, mas está em pleno vigor na prática. Uma prova disso é o talentoso cantor Rufus Wainheart, que ultimamente andou combinando de modo certeiro o New Romantic dos anos 80 com alguma coisa de Luís XV (!). Isso mostra que a teoria e a estética acadêmica são profecias auto-realizáveis, mas que sempre erram ao se esquecerem de que o homem é um bicho extremamente conservador. Mesmo que seja para conservar o que os estudantes de Artes dos anos 80 achavam que era o último grito anti-vanguardístico (o pós-modernismo é um inimigo da vanguarda, e, nesse sentido, reacionário), e aquilo que hoje é considerado datado e superado.

Se observamos com cuidado a trajetória de Gerhard Richter, talvez o maior artista plástico vivo (como já tinha dito, ao menos o mais caro), podemos chegar seguramente à conclusão de que a arte contemporânea – ou melhor dizendo, a arte da próxima década – tende à sobriedade, ao domínio da técnica e, best but not beast, ao amor pelo conteúdo e pelo sentido (!). Sem uma busca pelo sentido, a arte deixa de ser arte – e parecemos estar percebendo o que isso significa. E deste modo caímos no culto ao tédio e ao vazio – em resumo, no arbitrário, que é o oposto da arte.

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Calling moon and moon
Shoot that big bad hand
It’ll drag me to your door
And I won’t see you no more

this is the beginning of forever

Escrito por julio lemos, postado em 30 de novembro de 2009 às 7:29, arquivado em Arte e com as tags , , , , . Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.

毋比

Relendo ‘A Handful of Dust’, de Waugh.

Um amigo meu ficou chocado com o cinismo desse Evelyn Waugh recém-convertido ao catolicismo – ele que tinha dito que tivera de escolher entre o cristianismo e o caos, acrescentando que “não é possível aceitar as vantagens da civilização sem dar crédito àquilo de sobrenatural que a fundou”. Pois bem, Waugh carregou no seu humor negro depois de abraçar a Cristo. Um paradoxo? O que se pode dizer, sem muita polêmica, é que sua congênita capacidade de enxergar as misérias do mundo foi apenas amplificada: como quem toca “Evil Has No Boundaries” do Slayer usando duas caixas estereofônicas (adoro esses termos da eletrônica do final dos anos 70) de 30 kg cada uma.

Já temos visto mais de um indivíduo derretendo-se diante de um i-phone (um dos grandes triunfos do cristianismo) e, ao mesmo tempo, curvando-se às superstições pagãs.

Às vezes é necessário conceder aos pagãos, que em muitos aspectos – naquilo que não interessa à moral do “veadinho contemporâneo” – têm sido jogados para escanteio. Voltemos um pouco ao paganismo. Vamos ceder, por exemplo, à sua maravilhosa ética sexual. Os romanos de raiz eram fanáticos pelo casamento, tolerando o divórcio como um recurso dos fracos; os filósofos e trágicos gregos abominavam qualquer excesso em matéria de castidade (porque faziam do homem uma besta), e nisto estavam apenas suavizando o espírito antigo, que apedrejava os adúlteros e presenteava os incontinentes com a execução sumária.

Êta mundo cretino.

Escrito por julio lemos, postado em 16 de outubro de 2009 às 10:18, arquivado em Handlung, Literatura e com as tags , , , , . Deixe um comentário ou veja a discussão em permalink.