F E L I Z N O V A D I E T A | juliolemos.com | kostenlose hipster philologie

Skeleton me

I. Sempre me surpreendeu, depois de ler os escritos de Niklas Luhmann sobre a burocracia/tenocracia e seu conceito de ‘Legitimation durch Verfahrung’ (legitimação pelo procedimento), o paradoxo do grau equivalente de veracidade e de distância da realidade gozados pelos documentos processuais e policiais. Por um lado, a documentação é bastante exata — gozando o estilo do foro de certa dose de realismo e depreocupação com detalhes inúteis –; mas o acesso aos fatos mesmos por parte dos magistrados é ainda assim extremamente limitado, quanto mais no ´mare magnum´ de processos numa metrópole. No sistema italiano, a designação de juízes de instrução ou ‘questores’ torna o trabalho de colheita de provas — neste caso criterioso, em se tratando de especialistas dotados de uma autoridade real — bastante eficaz (aqui o juiz é agende de dois sistemas: o inquisitório e o contraditório, o autoritário e o ‘democrático’); entretanto, o princípio da verdade real fica formalmente prejudicado pela mediatez: o juiz do caso recebe o processo já instruído pelo questor, ou seja, não há contato direto entre o magistrado julgador e o mundo exterior aos autos (aqui sim: quod non in actis non in mundo est). Mas novamente não é o sistema que resolve os problemas da veracidade, mas sim a conduta profissional dos magistrados.

II. Parece haver uma conspiração envolvendo a Apple/iPhone e as operadoras de telefone celular. O iPhone não possui um sistema de bloqueio seletivo de acesso à internet via ‘data network’ do celular; quando você está conectado a uma rede wi-fi e é desconectado, com uma rapidez monstruosa o iPhone se conecta imediatamente à rede de dados do celular, tornando uma distração besta algo relativamente caro (no meu caso não isolado, R$ 15,00 em poucos segundos; o equivalente a duas Heineken e dois maços de Marlboro Red). Não pensem que sou ingênuo e que não tive já minha fase hacking/phreaking/fuckingsmartassdaporra. O fato é que  o problema só se resolve — sim, eu já descobri como, mas não vale a pena; por enquanto fica a dica óbvia de colocar o iPhone no Airplane ModeOn antes, durante e depois do uso do wi-fi, e não ficar abrindo sem querer o Safari, o AppStore, o e-mail, etc., senão rola um gato federal, não-ostensivo e atávico de 15 patacas por megabyte — com gambiarras indignas da aristocracia. Ow, galeren da Apple, alguém aí me lê? Preciso escrever em inglês? O brother where art thou? Foi fazer pacto com demônio(s), neh naum.

III. O mágico número três.

IV. Achei graça ao saber que já em “The Time Machine” de H. G. Wells, ao que parece, a idéia do tempo como quarta dimensão — muito mais convencional entre os físicos, conforme averiguei, do que dogmática — já era popular. São deliciosas (argh, odeio essa expressão, que me lembra críticos da Veja) as primeiras páginas com a narração da conversa entre o viajante do tempo e seus interlocutores. Ademais, note-se que Wells está dotado de um didatismo pouco irritante e consegue transmitir uma sensação invulgar de verossimilhança a respeito do mundo paralelo ficcional. Ounn.

Postado por julio lemos, postado em 24 de fevereiro de 2010 at 17:54, filed under Geral and tagged , , . Faça bookmark de permalink. Siga os comentários RSS feed for this post.

|LinhaTemporal|

3 Comments

Manda bala

Comente ou dê trackback do seu site. Assinar esses comentários.

:

: