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I was just trying to get that babbling gook off my lawn

Aceito o argumento de que a expressão “senso comum” pode ser mal empregada. Mas não se pode jogar fora a água da banheira com o bebê junto.

Essa atitude, na melhor das hipóteses, torna a conversa inútil. Quem começa por rejeitar tudo o que pareça evidente, por princípio e definitivamente, acaba por cair numa posição insustentável e que tende a cortar todas as condições de possibilidade de diálogo. Isso vale inclusive para a física, por exemplo. O resultado de uma experiência repetida nos traz sempre uma evidência, algo que pode ser visto como real por si mesmo; rejeitá-la seria descartar desde já qualquer possibilidade de sucesso. No terreno das experiências do dia-a-dia, a evidência – que não se sujeita a nenhum método – é ainda mais necessária.

Defender o senso comum pode parecer coisa de quem não quer pensar. Isso é falso. Só é possível pensar com segurança a partir de dados arrancados delicadamente da experiência comum e tradicional; o senso que se extrai do comum é mais seguro do que o senso que se extrai de um insight individual e isolado. Isso bastaria para rejeitar, ou ao menos considerar-se criticamente, toda filosofia que pressupõe que um gênio, num determinado ponto da história, possa descobrir algo tão fundamental sobre a vida que seria necessário jogar fora tudo o que tinha sido pensado até então. Como imaginar que a condição para o agir retamente seja a existência de Kant.

O cogito de Descartes ajudou-nos a pensar com mais cuidado na teoria do conhecimento (o que se extrai de uma consideração crítica da sua filosofia – e que nos leva a valorizar o giro subjetivo); mas por outro lado nos faz pressupor erroneamente que a certeza da res cogitans, daquele que pensa, é superior à evidência de que as coisas exteriores estão lá e são reais por definição antes da existência do eu, e que sem elas não poderia haver pensamento (sum, ergo cogitare possum).

Em filosofia, a genialidade incide sobre coisas acidentais: o modo de considerar, a perspectiva, a profundidade, as novas relações realizadas e paradigmas quebrados, a terminologia, a elegância. Essas coisas acidentais acabam por ser importantíssimas. Aristóteles inventou, por assim dizer, a lógica; mas não criou a lógica. Sem Aristóteles, o ser continua sendo o ser, e nosso sistema operacional não mudou uma vírgula. Sem o Aquinate, as noções de ato e potência permanecem, por mais que sem ele dificilmente se apresentariam aos nossos olhos de modo tão claro. Não é uma nova conexão do pensamento que mudará a realidade, transformando, como uma sentença pronunciada por um juiz medieval, o branco no preto, ex albo nigrum. Por mais que bufemos e gritemos e excomunguemos a mãe do taxista.

A revolta contra a realidade como ela é, por mais simpática que seja – como a preguicinha do brasileiro -, é coisa de retardado, mesmo que se trate de um retardado por um dia. Todos caímos nela vez ou outra; o Tomista Triunfante se revolta contra a realidade mais vezes do que seria capaz de admitir. Isso quando não transforma uma formulação da filosofia clássica num dogma arcaizante, algo tão perigoso quanto um exército de hegelianos de orelha peluda em ordem de batalha.

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Não há pureza. Só há luta. A verdade é relativa. Mas seja o que for, o “algo” que nos permite constatar essa relatividade da verdade tem um quê de imutável e eterno.

Cala-te e vai dormir.

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Bom dia e boa noite. Por favor, pronunciem kyri-e eleison, e não kyri eleison.

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Eu gostaria de carregar a minha irmã alta e esguia e cabelo indie para todo lado, como Orfeu e Eurídice, apontando as coisas e fazendo comentários, recitando poemas do Auden e escutando o que ela tem a dizer sobre o gato malhado e a Praça das Araras.

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Há poucas coisas mais legais em Gran Torino do que a idéia de que o “cara malvado”, quando começa a acordar, pode dar um “cara bom” muito mais interessante do que os caras bonzinhos.

O testamento dele eu memorizei. É o melhor documento jurídico de doação mortis causa com encargo que eu já vi em toda a minha vida:

And I’d like to leave my 1972 Gran Torino to my friend Thao Vang Lor. On the condition that you don’t chop-top the roof like one of those beaners, don’t paint any idiotic flames on it like some white trash hillbilly, and don’t put a big, gay spoiler on the rear end like you see on all the other zipperheads’ cars. It just looks like hell. If you can refrain from doing any of that, it’s yours.

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Chesterton: “White is a color; it is not the absence of color. Virtue is not merely the absence of vice; it is something pure and positive. Chastity is not merely abstention from sexual wrong, it means something flaming, like Joan of Arc.” (O branco é uma cor; não é a ausência de cor. A virtude não é meramente a ausência de um vício; ela é algo puro e positivo. A castidade não é meramente a abstenção de um desvio de conduta sexual; ela significa algo flamejante, como Joana D’Arc).

O cara que lê uma frase dessas e não acaba dizendo internamente “holy shit, esse cara está malditamente certo” – com medo de que seus amigos posers possam ler o seu pensamento -, esse cara não é humano.

Postado por julio lemos, postado em 20 de setembro de 2009 at 10:46, filed under Handlung and tagged . Faça bookmark de permalink. Siga os comentários RSS feed for this post.

|LinhaTemporal|

9 Comments

Manda bala

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