Deus está em tudo o que se perde e se move.
Não sem motivo fugiu Aquiles: sem medo das estacas e das ordálias.
(Fosse ordália o nome de uma flor…!)
Deus está no que se perde e se move, no que respira e pode não mais respirar — não no que é, mas no que está em.
Quando ouço música antiga, os ouvidos se me fazem moucos. Porque amar demais é já não ser em si. É viajar e encontrar a sarabanda, o cheiro de rio, e não dizer nada.
Êxtase: não estar em si: pendurar nas costas a trouxinha, como uma lesma, e partir para uma festa (aquela festa que terá acabado quando chegares). No coração seco, a varinha de condão, feita de carvalho e fibra do coração de um ornitóptero…
A festa acabou ontem. Chegaste e ela já não era. Começou e terminou sem ti — porque, não custa repetir, estavas a caminho.
Já vou indo, já vou indo, Luciana.
Postado por , postado em 6 de janeiro de 2011 at 13:42, filed under Caolhices and tagged Luciana. Faça bookmark de permalink. Siga os comentários RSS feed for this post.