<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Julio Lemos</title>
	<atom:link href="http://www.juliolemos.com/?feed=rss2" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.juliolemos.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Fri, 05 Apr 2013 21:19:28 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.5.1</generator>
		<item>
		<title>The truth about unicorns</title>
		<link>http://www.juliolemos.com/?p=1306</link>
		<comments>http://www.juliolemos.com/?p=1306#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 19:37:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>julio lemos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[lógica]]></category>
		<category><![CDATA[unicorns]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.juliolemos.com/?p=1306</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;I was brought up to believe in God, therefore God exists&#8221; and &#8220;I was brought up to believe in God, therefore God does not exist&#8221; are fallacious arguments. Why? It goes without saying that the former sentence is not usually made use of, even though it could be heard in some kind of Red Neck chatter [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;I was brought up to believe in God, therefore God exists&#8221; and &#8220;I was brought up to believe in God, therefore God does <em>not</em> exist&#8221; are fallacious arguments. Why? It goes without saying that the former sentence is not usually made use of, even though it could be heard in some kind of Red Neck chatter or at an informal Tea Party meeting. But as regards the latter, its use (or else the use of variations thereof) is attested by the millions.</p>
<p>But the fact is, the existence of wrong reasons to believe in <em>x</em> or -which is stronger- simply to believe in <em>x</em> does not imply the falsity or truth of <em>x</em>. You may have been forced to convert, or brainwashed so as to become a hardline atheist as a child; these claims do not defy the objective truth -whatever it may be- about God.</p>
<p>Let <em>w</em> be a possible world where God exists. Therein the proposition &#8220;God exists&#8221;, which we call henceforth <em>E</em><em>(</em><em>g</em><em>)</em><em>,</em><em> </em><em>is true</em>. Therefore, the proposition &#8220;I believe that <em>x&#8221;,</em> whatever<em> x</em> is, clearly does not affect the fact that  in <em>w</em> the proposition &#8221;God exists&#8221; must be true according to the usually accepted semantic conventions; it includes <em>x</em> = &#8220;God does not exist&#8221; and <em>x´</em> = &#8220;God exists&#8221; as much as <em>x</em>´´ = &#8220;Frank Zappa is dead&#8221;. That is to say, the proposition <em>E</em>(<em>g</em>) is independent of any given proposition of the form &#8220;I believe in <em>x</em><em>&#8220;</em>.</p>
<p>That may be due to the neutral nature of belief statements as regards the truth-functionality of the thing which is subject of belief. The proposition &#8220;I believe in <em>x</em>&#8221; may be true or false, assuming that you could be sure of your, or someone&#8217;s, belief; but it does not affect the truth-functionality of <em>x</em>. It may be said that every adult white male (I&#8217;m kidding) agrees that unicorns never existed. But suppose something like an unicorn skeleton were to be found. It may be disputed whether the <em>gefunden </em>&#8216;unicorn&#8217; could by rights be <em>named</em> &#8220;unicorn&#8221;, even if it were the case that it came to reflect, so to say, every property assigned to it by our actual myths. But it cannot be disputed that the discovery did not affect the truth-function of the proposition &#8220;unicorns never existed&#8221; -it was always false (if the name &#8220;unicorn&#8221; is agreed to be the proper designator for the thing) in <em>w</em>, the world in which the proposition is set to be true if the objective of the propostion exists (= the situation or fact that unicorns existed obtains).</p>
<p>This is so obvious people seem to ignore it.*</p>
<p>* What is not so obvious is whether one should or should not insert a comma between <em>obvious</em> and <em>people</em>.</p>
 <img src="http://www.juliolemos.com/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=1306" width="1" height="1" style="display: none;" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.juliolemos.com/?feed=rss2&#038;p=1306</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O barbeiro dessa vila</title>
		<link>http://www.juliolemos.com/?p=1285</link>
		<comments>http://www.juliolemos.com/?p=1285#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 15:41:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>julio lemos</dc:creator>
				<category><![CDATA[lógica]]></category>
		<category><![CDATA[paradoxos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.juliolemos.com/?p=1285</guid>
		<description><![CDATA[Kleene, no seu clássico Introduction to Metamathematics, refere-se a um antigo paradoxo -o do barbeiro. Diz ele: A popularization of the paradox (Russell 1919) concerns the barber in a certain village, who shaves all and only those persons in the village who do not shave themselves. Does he shave himself? Em bom português, o paradoxo [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Kleene, no seu clássico <em>Introduction to Metamathematics</em>, refere-se a um antigo paradoxo -o do barbeiro. Diz ele:</p>
<blockquote><p>A popularization of the paradox (Russell 1919) concerns the barber in a certain village, who shaves all and only those persons in the village who do not shave themselves. Does he shave himself?</p></blockquote>
<p>Em bom português, o paradoxo pode ser formulado assim: há um barbeiro numa vila que barbeia todos e somente aqueles que não barbeiam a si mesmos. Esse barbeiro barbeia a si mesmo?</p>
<p>O problema é sempre esse: se o barbeiro for se barbear, estará excluído do conjunto &#8220;todos e somente aqueles que não barbeiam a si mesmos&#8221;, e portanto, paradoxalmente, não se barbeará. Suponha que ele não se barbeie. Então ele se barbeará. Etc, <em>ad infinitum</em>.</p>
<p>Kleene até sugere:</p>
<blockquote><p>Of course here we can escape the paradox simply by concluding that there never was such a barber.</p></blockquote>
<p>O que seria escapar pela tangente, e de modo ilícito.</p>
<p>Eis que o conhecido <em>Computabilidade, Funções Computáveis, Lógica e os Fundamentos da Matemática</em> de W. Carnielli e Richard L. Epstein sugere como exercício, na página 27: &#8220;Resolva o paradoxo do barbeiro&#8221;.</p>
<p>Então eu passei o meu almoço pensando em como resolver o paradoxo. Se há uma boa solução para ele, certamente alguém já a encontrou. Sem ter notícias do fato, tentei encontrar a minha possível solução; é a seguinte.</p>
<p>É preciso supor uma noção de procedimento e de temporalidade.</p>
<p>Supondo uma sequência, contudo, podemos pensar num programa assim.</p>
<p>Considere o conjunto A = {a1, a2, &#8230;, an} de pessoas na vila que não barbeiam a si mesmas; e o conjunto B = {b1, b2, &#8230;, bn} dos que se barbeiam, de modo que A intersecção B = {nulo}.</p>
<p>Ou seja, se x pertence a A, então x não barbeia a si mesmo. Se x pertence a B, então x barbeia a si mesmo.</p>
<p>Defina-se (o que não faz nenhuma violência à formulação): &#8220;barbeia a si mesmo&#8221; = barbeou a si mesmo uma ou mais vezes em &lt;t1, t2, &#8230;, tn&gt;, dado tn &lt; tm, sendo tm o momento da pergunta.</p>
<p>A pergunta é se o barbeiro barbeia a si mesmo, considerando a regra de que ele só barbeia os membros do conjunto A.</p>
<p>Se o barbeiro responde que sim, é membro do conjunto B.</p>
<p>Se responde que não, é membro do conjunto A.</p>
<p>Um membro x de A muda para o conjunto B ao barbear a si mesmo. Se x pertence a A e Fx é o caso, sendo F barbear a si mesmo no momento t1 (finalizado), então esse x de A passa a pertencer a B em t1.</p>
<p>Suponha que o barbeiro já tenha barbeado a si mesmo (executou Fx, e portanto em algum momento saiu de A e foi para B). Então a resposta será sim; nesse caso, o barbeiro pertence ao conjunto B. Portanto ele não barbeará a si mesmo. Temos aí uma garantia contra o regresso ao infinito: como o barbeiro<em> já barbeou a si mesmo</em>, não voltará nunca a pertencer ao conjunto A, e a assim regra de que ele deve barbear quem não barbeia a si mesmo, exclusiva para membros de A, <em>não poderá incidir de novo</em>.</p>
<p>Suponha que nunca tenha barbeado a si mesmo (~Fx). Então a resposta será não; nesse caso, sendo do conjunto A, o barbeiro barbeará a si mesmo, precisamente em t1.</p>
<p>A partir desse segundo caso e momento, a resposta dele para as próximas perguntas será sempre &#8220;sim&#8221;. Executou-se Fx, e o barbeiro foi para o conjunto B em t1. Em consequência, ele nunca mais barbeará a si mesmo.</p>
<p>Portanto, <em>o barbeiro só pode se barbear uma vez</em>; daí em diante, estará excluído do conjunto A, e portanto proibido de barbear a si mesmo mais vezes. (&#8220;Solução do barbeiro barbudo&#8221;.)</p>
<p>Suponho que seja possível formalizar essa &#8220;solução&#8221; segundo a lógica temporal de Prior. Mais adiante pretendo aplicar ao paradoxo a teoria de bases (especialmente Kit Fine), além da idéia de pontos fixos articulada matematicamente por Kripke em <em>Outline of a Theory of Truth</em>. (Quem copiar a idéia terá a sua garganta barbeada, e uma só vez.)</p>
<p>A &#8220;solução&#8221; envolve um contexto: o da temporalidade, e da incidência da regra do barbeiro sobre um estado de coisas, um estado de fatos definido (se é o caso, ou não, que o barbeiro barbeou a si mesmo). Evidentemente, &#8220;as it is&#8221; o paradoxo é insolúvel; Smullyan supõe, inclusive, que se trata de uma mera contradição (supor A e não-A ao mesmo tempo), e não de um paradoxo.</p>
 <img src="http://www.juliolemos.com/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=1285" width="1" height="1" style="display: none;" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.juliolemos.com/?feed=rss2&#038;p=1285</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>German Scholars</title>
		<link>http://www.juliolemos.com/?p=1262</link>
		<comments>http://www.juliolemos.com/?p=1262#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 15 Oct 2011 01:09:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>julio lemos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acaba com ele]]></category>
		<category><![CDATA[LMU]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.juliolemos.com/?p=1262</guid>
		<description><![CDATA[I&#8217;m indebted to a lot of people as regards my education. It may strike you as quite strange that I&#8217;m not right away indebted to teachers, professors or staff members of my faculty, except for my PhD/thesis advisor and some colleges. Well, let&#8217;s forget the debitor/creditor relationship for a while. The individual I have in [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>I&#8217;m indebted to a lot of people as regards my education. It may strike you as quite strange that I&#8217;m not right away indebted to teachers, professors or staff members of my faculty, except for my PhD/thesis advisor and some colleges.  Well, let&#8217;s forget the debitor/creditor relationship for a while. The individual I have in mind today is Prof. Dr. jur. J. Platschek.  (I won&#8217;t say a word about Prof. Dr. jur. Dr. phil. H. Kaufhold or Prof. Bürge -my thesis advisor- because the former is a long story and the later is a Swiss.)  I&#8217;ll just call him Dr Platschek -well, that&#8217;s the way I used to address him.</p>
<p>You know, by the time you land on German 3N-Dimensional space you should not call someone &#8220;Du&#8221; (you) unless you&#8217;re a close friend. I remember &#8220;duding&#8221; Dr Platschek. I didn&#8217;t feel right going that way.</p>
<p>&#8220;Don&#8217;t go that way&#8221;, he said.</p>
<p>And I was like:</p>
<p>&#8220;Oh. Sorry, Prof. Platschek.&#8221;</p>
<p>&#8220;I&#8217;m kidding. But wait, why in the rotting Kingdom of Denmark am I speaking English?&#8221;</p>
<p>&#8220;Your life&#8217;s being <em>vorlesen</em> to the Internet audience. I&#8217;m translating the things you say. Be cool like Miles Davis.&#8221;</p>
<p>&#8220;I&#8217;m into Mingus.&#8221;</p>
<p>&#8220;Whassa saying? I wouldn&#8217;t be a dear and collect jazz records if I ever had the chance to publish a paper in <em>Philologus.</em>&#8221;</p>
<p>&#8220;I <em>did </em>publish a paper in <em>Philologus</em>.&#8221;</p>
<p>Well, that&#8217;s it. Even as an amateur philologist in my sweet seventeen (for a couple of years, to be more than half precise) I&#8217;d <em>dream</em> about late 19th century issues of <em>Philologus</em>, &#8220;one of the oldest and most respected periodicals in the field of classical studies&#8221;. Even at the time I knew: if you&#8217;re in <em>Philologus</em>, you&#8217;re no amateur historian.  You&#8217;re a <em>philologus</em>. I was having lunch with someone who was more than a historian.</p>
<p>&#8220;The thing is&#8221;, I said, &#8220;you&#8217;re now on the Internet. You can sue me.&#8221;</p>
<p>&#8220;Nah. We&#8217;d better go back to Mingus.&#8221;</p>
<p>So he was into jazz.</p>
<p>Not so sure.</p>
<p>The thing we always did after lunch at the <em>Mensa</em> was to grab some<em> </em>coffee. As jurists and historians we&#8217;d discuss the legal issues regarding the <em>Pfand</em> item we&#8217;d been given on our first <em>Mensa </em>day. A <em>Pfand</em> is some kind of pledge or deposit: you give money as a means of ensuring the good&#8217;s return (the cup, for instance) in the future; in exchange for the money you get a piece of metal or ticket of the same value. (I have a EUR 1.00 <em>Pfand </em>in my wallet.) To make long story short, without a <em>Pfand</em> you&#8217;re not entitled to drink coffee. And that was a good topic for jurists.</p>
<p>&#8220;How would post-classical Roman Law deal with a case of missing but allegedly given-against-verbal-receipt <em>Pfand</em>?&#8221;, someone yould ask, and I&#8217;m trying to inside-quote the German syntax here while you take a nap.</p>
<p>And Dr Platschek would make a joke and deliver a sound and complete lecture on the subject with attachèd examples and definitions the details of which I&#8217;m in no position to provide the reader with.</p>
<p>Here&#8217;s a picture of <a href="http://www.uni-goettingen.de/admin/bilder/pictures/cf93dff32fb29c4661cee508874d5e08.jpg">Dr Platschek</a>.  Always in his not so fashionable <em>Jacke</em> -a traditional Bavarian costume which oh my God costs as much as EUR 1,000.00 if you&#8217;re out of luck-, Dr Platschek is the perfect instance of  the &#8216;skeptical-illuministic&#8217; breed of Munich that happens to grow and dwell on a clearly bounded district thereof which I won&#8217;t mention out of respect for its inhabitants.  His weird accent was by no means known to me. They say it is so Platschek-like it&#8217;s not even fucking German. Their parents won&#8217;t give an account of it. Father and mother Platschek just say he was born speaking like a 18th century Swiss kid who dreamt every night about neverending talks with a Latin-syntaxed Austrian Cicero of sorts. It can&#8217;t even describe it. (I just love accents and stuff -I tried and I tried and I tried hard to speak Platschek-Deutsch. But I failed. And I was so stupid as not to record him speaking so that I could practice later or, like, go ahead with my idea of scrutinizing all the features of Platschek-Deutsch or whatnot.)</p>
<p>Does Dr Platschek believe in God?</p>
<p>&#8220;Dr Platschek, are you a Catholic?&#8221;</p>
<p>&#8220;I&#8217;m a <em>Münchner</em>, why should I <em>not </em>be a Catholic?&#8221;</p>
<p>&#8220;So you believe in God?&#8221;</p>
<p>&#8220;No.&#8221;</p>
<p>&#8220;A-ha, a filthy Atheist!&#8221;</p>
<p>&#8220;Anti-theist Catholic, please.&#8221;</p>
<p>You think someone who knew all <a href="http://books.google.pt/books?id=oKb4CxCvwGoC&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-BR&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false">Cicero&#8217;s witty and erudite speeches &amp; letters &amp; essays &amp; all by heart</a> could have given me a clear-cut crystal-clear account of his beliefs? Platschek said he was an agnostic Catholic at the moment (2009), having been a catholic Agnostic back in 2008 and a fearful Jesuit of Reason back in 2007. I&#8217;m sure you all get it. (You say &#8220;O o o, wait, let&#8217;s set this thing straight&#8221; and I say &#8220;no no no&#8221;.)</p>
<p>He&#8217;s now in Göttingen, following the steps of our common ancestor Franz Wieacker. I was a witness to his obtaining of the status of Priv.-Doz. (old Dr. habil.). His thesis was absolutely brilliant. Everyone agreed thereupon. His lecture was so demanding that students as well as professors would at random get out of the lecturing room to get some air or puke. (I got pretty nauseous myself, you see.)  The last time I saw him he was in his study. T. Johansen, a fine papyrologist girl, an assistant of Platschek&#8217;s <em>Doktorvater</em>, said &#8220;Hey, Julio&#8217;s on his way to Sao Paulo; say goodbye to Julio&#8221;.</p>
<p>He was like:</p>
<p>&#8220;Ah.&#8221;</p>
<p>That was his utterly misanthropic way of saying goodbye to a friend.</p>
 <img src="http://www.juliolemos.com/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=1262" width="1" height="1" style="display: none;" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.juliolemos.com/?feed=rss2&#038;p=1262</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>alt.fiction</title>
		<link>http://www.juliolemos.com/?p=1256</link>
		<comments>http://www.juliolemos.com/?p=1256#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 07 Oct 2011 21:33:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>julio lemos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[um beijo pra sua mãe]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.juliolemos.com/?p=1256</guid>
		<description><![CDATA[Uma árvore havia caído na Rua Helena, na Vila Olympia, reduto de douchebags responsáveis e trabalhadores. Pela manhã, a queda da árvore provocou o fechamento da rua inteira -e uma hora de atraso para quem quer que trabalhasse nos endereços contíguos. Pela tarde, como tivesse a árvore caído sobre os fios de alta tensão, interrompeu-se [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Uma árvore havia caído na Rua Helena, na Vila Olympia, reduto de <em>douchebags</em> responsáveis e trabalhadores. Pela manhã, a queda da árvore provocou o fechamento da rua inteira -e uma hora de atraso para quem quer que trabalhasse nos endereços contíguos. Pela tarde, como tivesse a árvore caído sobre os fios de alta tensão, interrompeu-se abruptamente o fornecimento de energia elétrica para a região a fim de que a grotesca angiosperma eudicotiledônea fosse desmembrada e arrancada pela raiz.</p>
<p>Sem luz o escritório, a rede caiu, as luzes se apagaram, os computadores ficaram negros. Os gemidos da corrente elétrica transformada em fogo se fizeram ouvir, estrondosos.</p>
<p>(Dois anos antes, o objeto do nosso narrador em terceira pessoa -que ocorre de ser o próprio narrador em primeira pessoa obnubilado pela timidez- presenciara incidente semelhante no Sumaré. Acompanhado de um engenheiro elétrico, passaram mais de meia hora contemplando, como crianças, as bolas de fogo (C<sub>x</sub>H<sub>y</sub>O<sub>z</sub>N<sub>t</sub> + (x+y/4-z/2)[O<sub>2</sub> + 3,76N<sub>2</sub>] → xCO<sub>2</sub> + (y/2)H<sub>2</sub>O + (y/2)H<sub>2</sub>O + [t/2+3,76(x+y/4-z/2)]N<sub>2) </sub>geradas pelo atrito entre dois fios, em razão da queda de um galho considerável de anônima árvore do Parque da SABESP.)</p>
<p>Ao chegar em casa mais cedo, pôs-se a trabalhar.</p>
<p>Recebeu telefonema dela. Brinde da tarde. Tinha sonhado com um estranho dual do Thiago Lacerda, que era, todavia, naquele mundo onírico anti-aristotélico, o objeto amado com outro corpo, mas o mesmo nome romano, dominador, viril, penetrante. Desligaram.</p>
<p>Ela foi tomar café. Ele tomou um exemplar de Nelson Rodrigues (ed. comemorativa da Nova Fronteira, 2006) e sentou-se para, pela primeira vez, ler uma peça do dramaturgo. Pimba.</p>
<p>&#8220;Filho da mãe! Isso vicia, cacete&#8221;.</p>
<p>O objeto amado ainda comeu metade de uma barra de chocolate meio amargo. &#8220;Contém antioxidantes&#8221;. O que faz um antioxidante? &#8220;Não sou metal, porra&#8221;. Há décadas vinha tomando banho, visitando praias esporadicamente, expondo-se assim aos perigos do elemental da água -como, aliás, diria qualquer rapazote com quilometragem em D&amp;D-, e nunca se preocupara com a ferrugem.</p>
<p>Tentou pinçar um poema de Sá de Miranda que dissesse o que a timidez o impedia de dizer. Mas sem sucesso. Querem saber? Há um poema do mesmo coimbrão solto pelos metrôs de São Paulo; o mesmo rapazote o fotografara dois anos atrás -se antes ou depois do incidente do galho, não há notícia mnemônica que permita afirmar.</p>
<p>(E ela, linda, dizendo à mãe que lhe mandei um beijo.)</p>
 <img src="http://www.juliolemos.com/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=1256" width="1" height="1" style="display: none;" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.juliolemos.com/?feed=rss2&#038;p=1256</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Superveniens</title>
		<link>http://www.juliolemos.com/?p=1241</link>
		<comments>http://www.juliolemos.com/?p=1241#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 30 Sep 2011 19:17:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>julio lemos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Flann O'Brien]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.juliolemos.com/?p=1241</guid>
		<description><![CDATA[Quando alguém me diz que leu meu blog inteiro, logo retruco: &#8220;cê podia ter lido três romances do Dostô com o tempo gasto, seu animal&#8221;. E objetivamente estou certo. Acabo de ler The Third Policeman, do nosso amigo de pseudônimo Flann O&#8217;Brien, menos conhecido como Brien O&#8217;Nolan -versão inglesa do seu nome real. Já o [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Quando alguém me diz que leu meu blog inteiro, logo retruco: &#8220;cê podia ter lido três romances do Dostô com o tempo gasto, seu animal&#8221;.</p>
<p>E objetivamente estou certo.</p>
<p>Acabo de ler <em>The Third Policeman</em>, do nosso amigo de pseudônimo Flann O&#8217;Brien, menos conhecido como Brien O&#8217;Nolan -versão inglesa do seu nome real. Já o tinha lido quase inteiro há muitos anos; e esse <em>quase inteiro</em> realmente faz toda diferença, porque a novela tem final dos mais intrigantes. Não costumo ler romances pensando no <em>plot</em>; mas a trama desta conhecida ficção de Flann O&#8217;Brien é impressionante. (Embora eu arrisque dizer que ele meio que acertou acidentalmente). O processo de estranhamento começa no preciso momento em que o personagem central anônimo e narrador toma posse do produto do seu crime -uma espécie de cofre (uma caixa de cor negra) com muito dinheiro, pertencente ao homem que ele assassinou em co-autoria com seu amigo John Divney. O leitor não terá idéia do que realmente ocorreu até o final. Conhecida como obra cômica, na minha opinião é dos livros mais assustadores já escritos, pela trama por assim dizer &#8216;metafísica&#8217; desenhada com invulgar habilidade pelo autor e pela atmosfera de crescente <em>awkwardness</em>. Creio que nessa novela há o exemplo mais bem sucedido de confusão autêntica -muito diferente da confusão mitômana, deliberada, induzida no leitor pelo narrador de <em>Os Demônios </em>de Dostoievsky-, que atinge não um mero personagem, mas <em>a própria narrativa</em>. O livro é um verdadeiro <em>mindfuck. </em>Isso, obviamente, sem prejuízo das suas cenas cômicas (a exemplo da descrição do genial De Selby por meio de prólogos de capítulo e enormes notas de rodapé, acompanhada da discussão acadêmica sobre a sua vida e seus feitos com o uso dos seus comentadores) e até incrivelmente comoventes (como a fuga do narrador numa bicicleta demasiado humana; sua melancolia e abandono).</p>
<p>Não sei por que motivo, não consegui escolher outro romance para ler depois desse. Eu queria era nunca o ter lido para iniciar, agora, a sua leitura e entrar na companhia distante de De Selby e seguir os personagens até a <em>eternidade, que fica logo ali, virando à esquerda naquela estrada</em>.</p>
<p>(Mais estranho ainda: logo após escrever o parágrafo anterior, tomei um exemplar de <em>Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk</em> do velho Leskov e fui almoçar. E, ahm, acabo de ler a novela -neste exato momento. A tradução direta do russo feita pelo Paulo Bezerra é bem cuidada, embora tenha Ns. D. T do tipo: &#8220;Entre os russos, o emprego do nome acompanhado do patronímico denota respeito&#8221;. Ah é, bicho? Acho que vou ali comprar o meu Англо-русский словарь математических терминов.)</p>
<p>E lá vai John W. Dawson, Jr., no prefácio da sua biografia de Kurt Gödel: &#8221;I have not, however, presumed any acquintance with modern mathematical logic, since even among mathematicians of the first rank such knowledge is often wanting&#8221;. Isso é uma pena.</p>
<p>(Em protesto devido a frustração típica de sexta-feira, esta postagem ficará para sempre inacabada.)</p>
 <img src="http://www.juliolemos.com/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=1241" width="1" height="1" style="display: none;" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.juliolemos.com/?feed=rss2&#038;p=1241</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>ראש השנה</title>
		<link>http://www.juliolemos.com/?p=1229</link>
		<comments>http://www.juliolemos.com/?p=1229#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Sep 2011 13:19:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>julio lemos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Handlung]]></category>
		<category><![CDATA[Luciana]]></category>
		<category><![CDATA[nerdice]]></category>
		<category><![CDATA[typographia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.juliolemos.com/?p=1229</guid>
		<description><![CDATA[Chegamos ao post de número mil, duzentos e dezoito, se contamos alguns rascunhos não publicados. Eu poderia ter escrito um Infinite Jest com essas mais de duas mil páginas, mas o que temos é só blogum istum. Contentem-se, que meu célebro é incapaz de outra coisa. (Mentira: ele é capaz também de ler um artigo da [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Chegamos ao post de número mil, duzentos e dezoito, se contamos alguns rascunhos não publicados. Eu poderia ter escrito um <em>Infinite Jest </em>com essas mais de duas mil páginas, mas o que temos é só <em>blogum istum</em>. Contentem-se, que meu célebro é incapaz de outra coisa.</p>
<p>(Mentira: ele é capaz também de ler um artigo da <em>Analytica</em> ou do <em>Journal of Symbolic Logic</em> enquanto o resto do corpo toma café -perdoe-me <em>ela</em>, que me extraiu delicadamente este item da dieta-* e se senta confortavelmente numa cadeira, ignorando o nó da gravata e a Grande e Não-Adleriana Conversação que ocorre nas imediações.)**</p>
<p>Há anos ensaio adquirir para a biblioteca doméstica a edição de 1987 do imortal Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, o &#8220;Caldas Aulete&#8221;. (Já me disseram: &#8220;Julio Lemos, quando cê recomenda algo com ênfase, provoca uma sub-revolução editorial no mundo <em>underground</em>&#8220;). Cinco volumes de puro amor, de pura nerdice, de puro <em>na dúvida, vai constar até isso</em>. Como diz o provérbio latino, de sobejo e jesuítico manejar:</p>
<blockquote><p><em>quod non est in Caldas Aulete, non est in mundo</em>.</p></blockquote>
<p>E é verdade. Aprendi a amar o Caldas Aulete na casa de minha avó, Londrina 1988 &#8211;&gt;, e não sei em que lugar desse mundo de meu deuzio foi parar o exemplar da família. Num surto de não-procura motivado pela crise que atingiu os polímatas e a inteligência deste pays desde a publicação dos <em>Estudos Alemães</em> do Tobias Barreto, o preço baixou um pouco, para estacionar nos estatisticamente médios R$ 350,00, para cópias em bom estado.</p>
<p>O dicionário tem raízes editoriais que começam (e praticamente terminam) no século retrasado, o XIX. Chico Julio Caldas Aulete, mártir lusitano da nerdice lexicográfica, foi o responsável pela primeira edição, de 1881; as edições subseqüentes de 1925 e 1948, em Portugual; e de 1958, 1964, 1974, 1980 e 1987, no Brasil, vieram sempre acompanhadas do apelido &#8220;Caldas Aulete&#8221;, apesar de o fato de que apenas o contiúdo da letra &#8220;A&#8221; estava pronto no momento do passamento do Chico Júlio. E eu disse &#8220;&#8230;e praticamente terminam&#8221; porque a primeira edição já é daquele século amado.</p>
<p>Basta pensar: o vocabulário shakespeariano, que fez gerações tremerem nas base, não é nada perto do vocabulário caldas-auleteano, que ultrapassa os 220 mil verbetes. Não é, obviamente, um OED,*** mas é mais charmoso que o seu primo inglês metido pra carai.</p>
<p>Ia dizendo que há tempos penso em adquiri-lo. Mas não para a minha pessoa e esfera jurídica: eu o comprei para dar de presente! (Não constitui repetição do caso da bola de boliche com o nome &#8220;Homer&#8221;, transferida a título gratuito, <em>liberalitatis causa</em>,**** de Homer a Marge Simpson -porque a nerdição, no caso da presenteada, é maior ou igual à do <em>dador.</em>)*****</p>
<p>Há poucas coisas melhores que dar um presente. (Uma delas é <em>ganhar</em> presente, mas opa: é assunto alheio à minha alçada). O ato entra na categoria do &#8220;êxtase&#8221;, em sentido original: o dador sai de si por meio do objeto de valor entregue ao outro e, assim, entrega-se a este. É evidente que o arquétipo do ato de presentear aparece de modo muito imperfeito na maioria das ocorrências do verbo na ação històricamente considerada;****** todavia, mesmo sob a suspeita de platonismo, devemos reconhecer que o esforço é realizado com essa meta: entregar-se.</p>
<p>_____</p>
<p>* Tenho um novo plano de saúde e julgo-me imortal.</p>
<p>** Opa, <em>un-Harvard parenthetical hommage </em>de novo, subseqüente à concessão feita às novas regras da tipografia anglo-saxã. A musa merece, mesmo no abstrair dos cabelos alaranjados.</p>
<p>*** Se ocê não sabe o que é OED, foi mal, não farei o favor de explicar. (E eis aqui a prova de que notas de rodapé não ajudam nada. Mas são lindas.)</p>
<p>**** Está em C. 5. 3. 11 (Dioclec., Maxim.): <em>Si tibi res proprias liberalitatis causa sponsus tuus tradidit, eo, quod ab hostibus postea interfectus est, irrita donatio fieri non potest</em>.</p>
<p>*****  &#8221;Dador&#8221; está devidamente registrado no Chico Júlio. Meu saudözo orientador de doutorado, meu eterno <em>Doktorvater</em> Marchi, nunca deixa vocábulo duvidoso entrar na sua prosódia ou em texto de sua autoria sem antes certificar-se se &#8220;o dá o Caldas Aulete&#8221;. (O Caldas Aulete é um dador de usos.) Lembro-me das longas tardes de discussão e tradução de fontes latinas -e às vezes até gregas, como tarefa extracurricular, porque vez ou outra os estóicos ou ecléticos romanos inventavam de inserir no Digesto vocábulos ou frases inteiras em grego (o que é ainda mais corrente, por outros motivos, nas <em>Novelae</em> e no <em>Codex</em>)-, em que o uso duvidoso de um vocábulo como &#8220;abordar&#8221;, galicismo pavoroso, era omitido com a invocação da <em>auctoritas</em> caldas-auletiana. (Registre-se ainda o uso brasiliense de <em>dador de teco</em>, ref. ao abuso de substância extraída do <em>Erythroxylum coca</em>, quando exemplar da espécie <em>obtém</em> na realidade empírica.)</p>
<p>****** Uma digressão wittgensteiniana nos obrigaria a esclarecer que aquilo que todas as ocorrências do ato de presentear têm em comum é a categoria das  &#8221;semelhanças de família&#8221; (uma das traduções possíveis de <em>family likeness </em>para este contexto sintático), e nada mais. Minha tendência, nesse ponto, é seguir o nosso <em>Wunderbeere </em>(<em>Synsepalum dulcificum</em>) austríaco e aceitar apenas com grão de sal a concepção escolástica de &#8220;analogia&#8221;, que tende ao essencialismo, mesmo <em>contra quem Aquinas</em>.*******</p>
<p>******* Explicar a expressão <em>contra quem Aquinas</em> exigiria uma nota de rodapé <em>útil</em>.</p>
 <img src="http://www.juliolemos.com/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=1229" width="1" height="1" style="display: none;" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.juliolemos.com/?feed=rss2&#038;p=1229</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ja, logisch</title>
		<link>http://www.juliolemos.com/?p=1217</link>
		<comments>http://www.juliolemos.com/?p=1217#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 17:52:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>julio lemos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acaba com ele]]></category>
		<category><![CDATA[Brouwer]]></category>
		<category><![CDATA[logical jokes]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.juliolemos.com/?p=1217</guid>
		<description><![CDATA[Muitas instituições financeiras -ai, que homem!- inserem em seus contratos cláusulas de inadimplemento cruzado, também chamadas cross default clauses. Se há vários contratos, o inadimplemento de um deles leva ao vencimento antecipado de todas as dívidas consubstanciadas nos demais contratos. Diz o Dr. Ulrich Eder: Cross-default means that a default on one loan automatically constitutes [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Muitas instituições financeiras -ai, que homem!- inserem em seus contratos cláusulas de inadimplemento cruzado, também chamadas<em> cross default clauses</em>. Se há vários contratos, o inadimplemento de um deles leva ao vencimento antecipado de todas as dívidas consubstanciadas nos demais contratos. Diz o Dr. Ulrich Eder:</p>
<blockquote><p><em>Cross-default means that a default on one loan automatically constitutes  a default  on all  loans covered by this clause. As a result, debt obligations under a credit agreement and  indentures could become immediately due and payable even if there is no breach of other covenants or default of payment of the loan.</em></p></blockquote>
<p>Se isso não é uma boa metáfora para a sua vida, meu nome é <em>Sebastián</em>. (Ou para a vida do vizinho, que desistiu da metafísica de Ibn-Sina porque se lembrou de que era brasileiro e que, por essa razão, já era hora de ser engraçadinho).</p>
<p>Você pode fazer tudo corretamente. E quanto mais irreprochável for a sua conduta, maior a expectativa de irreprochabilidade futura* a ser causada nos outros. Pensarão que você é indefectível. Todavia, qualquer falha eventual, por pequena que venha a ser, lhe trará ruína imediata. Passe 50 anos acertando e espere pelo tombo iminente. Quando vier, você perderá a família, o emprego, a honra. Só não perderá a vergonha, porque afinal você continuará o mesmo -só para os outros é que será diferente. Outra pessoa. Um monstro.</p>
<p>Será doloroso.</p>
<p>Não é assim com o canalha. Dele não esperam nada de bom. Eventualmente um acidente feliz levará as pessoas a pensar que ele produziu um feito heróico. De um minuto para o outro, por contraste, a comoção geral, o perdão, a benevolência.</p>
<p>(Observação motivada por um incidente que presenciei hoje: um amigo, que aparentemente nunca tinha cometido <em>um só equívoco</em>, mandou um e-mail com uma sentença judicial ainda não publicada à pessoa errada, por ter digitado o endereço com muita pressa no campo correspondente no Outlook Express).</p>
<p><em>Não existe amor que não esteja na carne, Sebastián.</em></p>
<p>Se não está na superfície, não está em lugar algum. Mas se está na superfície, pode habitar o restante do espaço tridimensional logo abaixo dela. Pode chegar até a eternidade ou até o paraíso de Georg Cantor.</p>
<p><em>Um lógico diz ao outro: &#8220;Minha mulher está grávida&#8221;. </em><em>&#8220;É menino ou menina?&#8221;, pergunta o outro. </em><em>&#8220;Sim&#8221;, responde o primeiro.</em></p>
<p>Na versão intuicionista de Brouwer, que bolei ao descer hoje a Rebouças, a piada fica mais sutil:</p>
<p><em>Um lógico intuicionista diz a um clássico: </em><em>&#8220;Minha mulher está grávida&#8221;. Pergunta então o clássico: </em><em>&#8220;É menino ou menina?&#8221;. </em><em>O intuicionista responde: </em><em>&#8220;Não&#8221;.</em></p>
<p>(Talvez só ela, que hoje declarou a sua intenção de comprar-nos as <em>Brouwer&#8217;s Cambridge Lectures on Intuicionism</em>, será capaz de entender a piada. Mas a deixo aí, para a estólida apreciação dos môços.)</p>
<p>A homenagem oculta está num sinal de parêntese colocado <em>depois</em> do ponto final.</p>
<p>_____</p>
<p>* Redundância proposital: toda expectativa diz respeito ao futuro. Dã.</p>
 <img src="http://www.juliolemos.com/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=1217" width="1" height="1" style="display: none;" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.juliolemos.com/?feed=rss2&#038;p=1217</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Undertow</title>
		<link>http://www.juliolemos.com/?p=1191</link>
		<comments>http://www.juliolemos.com/?p=1191#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2011 19:59:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>julio lemos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[física]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.juliolemos.com/?p=1191</guid>
		<description><![CDATA[I&#8217;ll be damned if those stiff little fingers should not be inserted in the account book as &#8216;forever lost&#8217;. With the aforementioned thought-statement, our friend K. would open the refrigerator door, heart in his hands, sternly bored, and nod to himself like there&#8217;s no tomorrow. Acceptance of your own hazard-free life is not the job [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>I&#8217;ll be damned if those stiff little fingers should not be inserted in the account book as &#8216;forever lost&#8217;. With the aforementioned thought-statement, our friend K. would open the refrigerator door, heart in his hands, sternly bored, and nod to himself like there&#8217;s no tomorrow. Acceptance of your own hazard-free life is not the job here, he thought once again. No threat to life, no threat to health, no tongue-in-cheek speech nor ludicrous <em>dictum</em> at hand when someone dies and you&#8217;re the next-in-queue non-German scholar who&#8217;ll have to say something, for crying out loud. The <em>Begründung</em> for this awkward situation was some kind of paradox. The girl in question, who happens to be mentioned just when all his thought-readers were already skipping class, I mean turning the page, is someone called whatever you like but who&#8217;d disappear when you most needed her, drowning on the bayou: when things got nasty, she&#8217;d just send a note, &#8220;I&#8217;m going&#8221;, &#8220;I&#8217;m out&#8221;, because your anxiety, K.&#8217;s anxiety sort of made a bad impression on her, like &#8220;please talk to me&#8221; meaning &#8220;hold on to me&#8221; meaning &#8220;let me down&#8221;. And then the worst outcome was the outcome of her choice: the I-do-love-you-but-please-begone outcome. The paradox could be summarized as follows: the bad-asser his longing to see her, the more irresistible the desire thereof of walking away. The reason is even more paradoxical in nature: her walking away was for the sake of love, because it was very painful for her to let him down by not wanting to see him right now; the pain would make her sad, and she would go astray as a means of procrastination.</p>
<p>Good news for K. this morning. He woke up to find her standing beside him apologizing for being late and just tethering around for so long. Hands so sweet, imperceptible sounds of her bouncing around the room fixing him a drink or classifying books or organizing his overall messy things. From this time on, the walkaway paradox was gone and stood on his own grounds as a OED-recollection, a valuable item belonging to his set-theoretic topological no-hurry-to-forget <em>memorabilia</em>. When all this mess is subject of recall, we&#8217;ll be sharing the same room, she said. I was afraid of, you know, this so-called sacciferous boredom. I was wrong. My father never got over her wife because they loved to be stiffly bored together. When she was gone, he developed this lasting neurosis out of regret (a life of loving boredom).</p>
<p>I want to be bored with you.</p>
<p>I want to be bored with you as well.</p>
<p>(A mysterious sound of love under will is heard, ov FINISHED FILES everlasting love betwēox K. and her).</p>
<p>God told the story from the beginning and he saw stuff pretty clearly, quoting unquoting Boetius&#8217;s <em>De consolatione philosophiae</em>: &#8220;eternity is the simultaneously whole and perfect possession of interminable life&#8221;. God said that in Latin, because Latin is stuff even Thrones &amp; Dominations can understand and commit to memory and even <em>vorlesen </em>to their Metaphysics professor when they get to college. Or just for the heck of it.</p>
<p>God said also (and we&#8217;re pleased to provide the reader with a sound and accessible English translation): &#8220;As we attain to the knowledge of simple things by way of compound things, man, so must we reach to the knowledge of eternity by means of time, which is nothing but the numbering of movement by &#8216;before&#8217; and &#8216;aftah&#8217;, man. For since succession, man, occurs in every movement, man, and one part comes aftah another, the fact that we reckon before and aftah in movement makes us apprehend time, get it, man?, which is nothing else but the measure of before and aftah in movement. Now in a thing bereft of movement, y&#8217; know what I&#8217;m saying?, which is always the same, there is no before or aftah. As therefore the idea of time consists in the numbering of before and aftah in movement; so likewise in the apprehension of the uniformity, man, of what is outside of movement, consists the idea of eternity. Duh, obviously&#8221;.</p>
<p>As I was saying, God see things pretty clearly, being, as nicely depicted by Luther, a retired rhyparographer who tends to shout <em>poenitenziagite</em> to the passersby just to scare the shit out of them. He saw -and now we&#8217;re almost done- they were not bored. They were prepared for boredom, which is a thing kung-fu coaches say all the time (no, God ain&#8217;t no depressed kung-fu instructor), and that was the only stuff they needed at the time: a cigarette lighter, books with an attitude and love under will.</p>
 <img src="http://www.juliolemos.com/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=1191" width="1" height="1" style="display: none;" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.juliolemos.com/?feed=rss2&#038;p=1191</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Invisible hand*</title>
		<link>http://www.juliolemos.com/?p=1184</link>
		<comments>http://www.juliolemos.com/?p=1184#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 11:27:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>julio lemos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caolhices]]></category>
		<category><![CDATA[gato de Schumpeter]]></category>
		<category><![CDATA[união estável]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.juliolemos.com/?p=1184</guid>
		<description><![CDATA[Toda quinta-feira, eu e meu carro nos encaixamos, em virtude do número aleatoriamente atribuído à placa do segundo, na categoria &#8220;veículos de circulação limitada no mini-anel rodoviário&#8221; em horário de pico -ou seja, é meu dia de rodízio. Digo eu e meu carro porque nossa circulação -não só a dele- fica limitada, tendo em vista [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Toda quinta-feira, eu e meu carro nos encaixamos, em virtude do número aleatoriamente atribuído à placa do segundo, na categoria &#8220;veículos de circulação limitada no mini-anel rodoviário&#8221; em horário de pico -ou seja, é meu dia de rodízio.</p>
<p>Digo eu e meu carro porque nossa circulação -não só a dele- fica limitada, tendo em vista a legislação que eu e você, cidadão, aprovamos (aprovamos?). Se vocês me conhecem, sabem que eu não vou falar de política legislativa, e nem de nada que seja identificável. Vocês sabem (admitam) que aí vem alguma loucura sem tumano.</p>
<p>Minha crítica ao Google: em todos os navegadores, mano tem que levar o cursor do mouse até o quadradinho flutuante de pesquisa e <em>clicar</em> o botão esquerdo para, só assim, declarar seu critério de pesquisa. Se a página carregar e você simplesmente começar a escrever, o <em>input</em> será ignorado.** Não é assim na tela de <em>login</em> do Gmail: tão logo a página carrega, o código imediatamente <em>tabeia</em> para a caixa com o seu e-mail; você pode carregar a página e começar a escrever o seu e-mail/login (sem o @gmail.com).</p>
<p>Digo isto porque, cês sabem, o tempo perdido em alcançar o mouse é pequeno -mas a cada dia, a irritação cresce. A ponto docê começar a tundar o Google no seu blog <em>like it&#8217;s party time</em>. Vamos lá, programadores. Eu sei que cês mexeram recentemente no esquema todo da página de pesquisa; mas, por clemência, deixe os meus nervos em paz. Eu sou do tempo do teclado. Eu e meus amigos. A gente usa <em>tab</em> e teclas de atalho. Mouse é da geração seguinte. A gente só usava mouse quando estava no 3D Studio, no Animator Pro ou no AutoCad. Cês têm que pensar nas geração passada.</p>
<p>(Admitam, não foi uma &#8221;loucura sem tumano&#8221;: <em>zugegeben</em>, foi uma crítica um pouco maníaca; mas eu não falei de recursividade e estética, nem soltei um poema em prosa de arrupiar os cabelo).</p>
<p>A temperatura caiu para 8 graus <em>Celsius</em>. (O pessoal fala <em>Celsos</em>, decerto a pensar que algum Celso andou experimentando com termômetros e era esquizofrênico. E é bom ter em conta que a metade dos casos de esquizofrenia não-congênita, segundo conclusão recente publicada na <em>Nature Genetics</em>, está associada a mutações genéticas espontâneas. Mas não; Anders <em>Celsius</em> é um cara só, de Ovanåker/Uppsala/Suécia, e o termômetro que ele construiu tinha escala inversa à do que usamos, cf. <em>The Britannica Guide to Numbers and Measurements</em>, p. 231: a água fervia a zero graus Celsius, e este <em>post mortem</em> passou a ferver no inferno, porque como todo sueco se dizia protestante e era um ateu que usava peruca).</p>
<p>O gato de Schumpeter: ou temos uma tempestade, e <em>ela</em> fica em São Paulo; ou continua fresquinho, mas tempo bom, e <em>ela</em> sai.</p>
<p>A minha idéia foi relacionar dois problemas: o de Schrödinger e o da <em>batalha naval amanhã</em>, que na tese do jovem DFW aparece com um dispositivo muitinteressante: a dependência, do iniciar-se a batalha naval, apenas do uso do telégrafo (suponho criptografado) pelo Almirante responsável. Vou explicar melhor o bagulho, mano. O experimento mental de Schumpeter[é só sacanagem, não precisam se assustar], digo, Schrödinger <em>und seine Verschränkung</em> envolve um gato numa caixa que nego não sabe, em virtude de um dispositivo que por sua vez depende de [...] se o gato estará vivo ou morto, com a liberação/não liberação do veneno que o matará (podem chamar a P.E.T.A, People Eating Tasty Animals; o que não adiantará, já que gatos não são nada bons de comer, exceção feita aos angorás mal-passados). A pergunta é: antes de abrirmos a caixa, a proposição <em>o gato está vivo</em> é verdadeira ou falsa? E antes de o Almirante enviar o telégrafo, a proposição <em>amanhã haverá uma batalha naval</em> é verdadeira ou falsa? As relações entre um problema e outro (veja, trata-se aqui de lógica, e não de física) são obscuras, mas existem.</p>
<p>Eu vou deixar vocês pensando, mesmo sabendo que vocês não estarão pensando, como diz aquela canção.</p>
<p>_____</p>
<p>* Sim, leitor, Schumpeter não foi o criador da expressão. Mas, como princípios aplicáveis, temos os conhecidos <strong>TANSTAAFL</strong> e <strong>TINSTAAFL.</strong></p>
<p>** Parece mesmo sacanagem dos caras, porque se ocê aperta <em>tab</em> seguidas vezes, passeia pela página inteira; mas ocê <em>nunca</em> cairá na caixa de texto da pesquisa. Tarados.</p>
 <img src="http://www.juliolemos.com/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=1184" width="1" height="1" style="display: none;" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.juliolemos.com/?feed=rss2&#038;p=1184</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Litterae</title>
		<link>http://www.juliolemos.com/?p=1178</link>
		<comments>http://www.juliolemos.com/?p=1178#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 27 Aug 2011 20:32:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>julio lemos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Handlung]]></category>
		<category><![CDATA[typographia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.juliolemos.com/?p=1178</guid>
		<description><![CDATA[X: Pense nos felinos. Gatos, por exemplo. Eles te olham nos olhos, como os cães? A memória relativa a essas situações -a de ser-olhado por um gato- deve estar em algum lugar. Y: Ahm. Sim, eu me lembro. O Julien Sorel, gato na verdade, ahm, sem nome de um casal de amigos. Ele foi encontrado [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>X: Pense nos felinos. Gatos, por exemplo. Eles te olham nos olhos, como os cães? A memória relativa a essas situações -a de ser-olhado por um gato- deve estar em algum lugar.</p>
<p>Y: Ahm. Sim, eu me lembro. O Julien Sorel, gato na verdade, ahm, sem nome de um casal de amigos. Ele foi encontrado dentro de um bueiro em Porto Alegre, perto da Universidade. Foi trazido para cá em seguida, para Higienópolis, imagine, morar na Rua Tupi.</p>
<p>X: Tá, mas que tem esse gato? Lembrou de algo que tem a ver com o que eu dizia?</p>
<p>Y: É por isso, ô. Estávamos na sacada, que dá para o Pacaembu. O gato andou pelo parapeito, tem também uma rede de nylon pra evitar que o gato caia, e ficou perseguindo algum inseto. O bicho fica vidrado. Depois ele reparou em mim. Me olhou. Mas ele não olhava <em>para mim</em>, ele olhava <em>pra minha cara</em>, entende? Não havia nenhum tipo de contato pessoal, do tipo que existe entre homens &amp; cães, melhor amigo do homem, essa merda toda.</p>
<p>X: É disso justamente que eu falava, cara. E você já pensou que há pessoas assim? Que não olham pra você, mas para a superfície física do seu rosto, mesmo para a superfície dos seus olhos?</p>
<p>Y: Estranho. Quer dizer. Parece antipático.</p>
<p>X: Minha intuição é que isso tem algo a ver com tipicidade neurológica. Vou pular os detalhes técnicos. E nem vou usar os termos corretos, que ia soar pedantismo. Sabe quando você fica mais atento às palavras do que ao contexto emocional de uma conversa?</p>
<p>Y: Ih, lá vem você com esse &#8216;sabe quando você etc&#8217;. Não, não sei. Isso nunca aconteceu comigo.</p>
<p>X: É, você é um pouco feminino nesse ponto.</p>
<p>Y: Ué, e não existe muié literal, incapaz de pegar uma ironia?</p>
<p>X: Não é isso. Não é que elas, ou sei lá, qualquer pessoa, não seja capaz de pegar ironias. Até porque essa literalidade mental ocorre fora de contextos irônicos.</p>
<p>Y: Estou confuso.</p>
<p>X: É assim. O cara que é muito literal costuma ser hábil com palavras.</p>
<p>Y: Como você, seu pedante.</p>
<p>X: Não falo de mim. Isso você vê na literatura, no cinema, etc. Sendo hábil com palavras, ele sabe lidar com contextos imediatos, de curto <em>quote unquote</em> prazo.</p>
<p>Y: Que foi isso? <em>Quote unquote</em>? Faltou você fazer dois risquinhos no ar com os dedos.</p>
<p>X: Porra, não enche. Esses contextos imediatos não são emocionais. São contextos, por assim dizer, textuais.</p>
<p>Y: Essa nossa conversa conta como um contexto literário?</p>
<p>X: Uma conversa não é um contexto. Ela não prescinde de contextos, mas ela em si é uma troca de sinais literais, orais, digo, que remetem a uma estrutura, aí sim, mental, e de sinais não-verbais, isso, verbal e não verbal, assim é uma conversa. E creio que tanto o aspecto verbal quanto o não verbal remetem a contextos.</p>
<p>Y: Esse negócio de contexto vai virar um trunfo. Super Trunfo.</p>
<p>X: Você disse &#8216;super trunfo&#8217; ou &#8216;Super Trunfo&#8217;, com maiúsculas?</p>
<p>Y: Você não viu as maiúsculas?</p>
<p>X: Não vi, uai, é justamente por isso. Usei a categoria verbal pra me referir a aspectos literais e orais; é uma categoria geral. No caso, odeio dizer &#8216;no caso&#8217;, nossa conversa é verbal-oral, e não podemos ver maiúsculas, acentos, essas c&#8230;</p>
<p>Y: A-há! Acentos eu não vejo. Eu escuto. E acabo de escutar o acento em &#8216;maiúsculas&#8217;.</p>
<p>X: Mas não vi nada de aspas. Você usou aspas francesas ou alemãs?</p>
<p>Y: Não entendo de tipografia.</p>
<p>X: Mas o fato é que pessoas literais entendem de contextos. Mas o seu contexto é imediato, como eu dizia. É quase que desprovido de conteúdo emocional. E justamente por isso, uma cara muito literal tem problemas de comunicação -ele é masculino demais. Viril demais. O <em>logos</em> é do homem. O homem é classicamente um ser discursivo. Quando está apaixonado -digo, o homem literal-, ele leva tudo a sério. A sua cabeça é contratual. Ele quer, já, imediatamente, estabilizar a relação por meio de laços contratuais. O casamento é uma instituição masculina. Essa rejeição atual, esse horror ao casamento é clássico sintoma de falta de virilidade.</p>
<p>Y: Faz sentido. Eu tendo a ser chato com você. E não é porque eu estudo física e penso que não existe nada fora de equações. É que eu me surpreendo que um cara como você possa dizer algo que faça sentido. E isso fez sentido, entende?</p>
<p>X: Lógico que faz. Você é o cara das exatas, mas, sei lá, você parece tão pouco esperto às vezes.</p>
<p>Y: Começou.</p>
<p>X: Tá. Vamos voltar ao ponto.</p>
<p>Y: Vou abrir uma cerveja.</p>
<p>X: A geladeira é minha. <em>Vade retro</em>.</p>
 <img src="http://www.juliolemos.com/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=1178" width="1" height="1" style="display: none;" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.juliolemos.com/?feed=rss2&#038;p=1178</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
