F E L I Z N O V A D I E T A | juliolemos.com | kostenlose hipster philologie

אִיּוֹב

Que homens passearam pelo Velho Testamento? Homens de carne e osso ou homens desenhados em hebraico? Se o Sr. pensar bem, perceberá que esse é o problema da memória (da história inclusive).

Oi. 666. Don’t call me Job.

This entry was written by julio lemos, posted on 29 de junho de 2010 at 23:46, filed under Moda. Leave a comment or view the discussion at the permalink.

Goy Division

Um outro episódio edificante.

Havia um judeu puro-sangue, nascido em Tel-Aviv, no curso de alemão promovido pela Universidade Ludwig-Maximilian. Desde o primeiro dia tentei puxar papo com ele, motivado tão-somente pela minha habitual simpatia pró-judaica. Era um cara mal-humorado, sempre acompanhado de uns dois livros em alemão — queixumes incompreensíveis a transparecer-lhe no olhar. Primeira simpatia da minha parte: uma gramática alemã em hebraico de boa edição (fetiche retardado); primeira antipatia da parte dele: o meu livrinho de sátiras fofinhas sobre Israel escrito pelo nosso amigo אפרים קישון Ephraim Kishon… Achei que o fato de eu estar acidentalmente acompanhado por um autor judeu seria um ponto a meu favor. Meu engano, entretanto, provinha da ingenuidade: Kishon é odiado por alguns judeus moderadamente zelosos e desprovidos de senso de humor, e meu colega de sala — não sendo todavia um hassídico ou zelota ou fariseu neotestamentário ou kabalista alfarrábico — poderia ser incluído nessa katchyguria.

“Lesen Sie gern dieses Scheissbuch, dieser Scheissschriftsteller?” (o Sr. lê essa merda de livro, essa merda de escritor? [que alemão de merda, pensamos, eu e meu lado Henry Miller]), perguntou-me ele.

“Ach ne, das war selbstverständlich nur ein Geschenk, Mann” (nada, cara, isso aqui foi um presente, ÓBVEO), respondi eu, mentindo descaradamente.

No dia seguinte ele apareceu com um “Além do Bem e do Mal” do Nietzsche e eu caí em cima dele delícia:

“Was denn? Nietzsche? ‘Die Prunkworte’ und soweiter, was sagst Du dazu?” (Que merda, você tá lendo Nietzsche, e as palavrinhas simpáticas dele sobre os judeus, que você diz hein hein).

E ele, irônico:

“Ne ne, das war nur ein Geschenk, Mann” (foi só um presente besta, meu bom mulato).

E a mentira reciprocamente conhecida fez de nós bons amigos. Por um dia. Fui promovido para outra turma e ele sumiu inexplicavelmente do mapa.

(narrativa no estilo Kishon, né. mais ironias)

This entry was written by julio lemos, posted on 17 de março de 2010 at 22:50, filed under Moda and tagged . Leave a comment or view the discussion at the permalink.

Beauties of yesterday

O vocalista do Kelly & Bastardian só deixa escapar uma vez o seu sotaque escocês. Numa das músicas do “If You’re Feeling Sinister”, ele diz nearing badly com um “r” realmente Scots, o filho da mãe. (Na verdade é em outra música de outro disco, e ele diz “needing badly”, mas vamos dar uma chance ficcional a ele). Mas fugir, no resto das músicas, do melhor sotaque do universo anglo-saxão só pode significar uma coisa: STUART, TU ÉS VEADO QUE EU SEI.

Penso que o Tietê é um deus castanho, assim como o Tâmisa de T. S. Eliot. A única diferença é que nossos deuses tocam saxofone de cueca na varanda do segundo andar, como José Wilker, só isso. Rimar salvages com assuages e ficamos assim:

I do not know much about gods; but I think that the river
Is a strong brown god—sullen, untamed and intractable

(e todo aquele etc imagista que a Maria Clara conhece de cor)

A: Você é um cara plug-and-play.

B: NOT.

Ex bello pulchra, da guerra saem coisas bonitas.

* * *

A moça bad ass da semana: Caterina Sforza. Convoco uma DeLorean para me levar até ela, taco de baseball e Dr. Spock a tira-colo (para o caso de ter de apelar para o plano B).

Na boa, não me julgo muito melhor do que ela.

Julio: Parece geladinho aí, D. Sforza.

Caterina: Né?

Dr. Spock: Né não?

Adeus, ó mundo cruel. Gargamel.

This entry was written by julio lemos, posted on 2 de janeiro de 2010 at 8:45, filed under Moda and tagged , , . Leave a comment or view the discussion at the permalink.

Male fashion trends

Geek Chic. Quer ser um nerd com charme? Óculos, gravata borboleta, gravatas acadêmicas, relógios Cassio, etc. Se você nunca procurou a moda, ela vai até você, ó rapazinho estudioso.

Para o casual wear:

Casual wear features on trend tee shirts emblazoned with old album sleeve artwork, and a 1950s rockabilly look combined with underground band image.

Isso eu tinha previsto ano passado, seus atrasados.

A melhor moda é aquela que deixa liberdade – que não obriga o sujeito a pedir desculpas por ser uma marionete. A moda 08/09 tem sido: well, do whatever you want as long as it appears charming. E isso é legal.

Em 2007 me parecia que tudo que o que fosse 40’s ou 50’s estava valendo – tudo o que for masculino de verdade, charmoso e de bom gosto. Até alianças no dedo. Isso confirmou-se neste ano.

E lá estão, imbatíveis, Cary Grant, Clark Kent e Humphrey Bogart.

This entry was written by julio lemos, posted on 3 de dezembro de 2009 at 7:24, filed under Moda and tagged , . Leave a comment or view the discussion at the permalink.