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Des choses révélées

Falando em bandas simpáticas, aí está Bat for Lashes – pouco conhecida no Brasil e deveras reconhecida na Europa, especialmente na Inglaterra e na Alemanha. Trata-se de um projeto da cantora inglesa e de raízes paquistanesas Natasha Khan – uma bacharel em Música e Artes que toca piano, harpa e outras coisas esquisitas e foi influenciada por Nirvana e Steve Reich… Conheci-a ouvindo “Daniel”, do álbum Two Suns, lançado em março de 2009, quando essa música começou a ser transmitida obsessivamente por uma DJ de uma rádio de Munique; há tempos não exclamava aquele “opa, isso é bom”. É verdade que ela não canta bem: não tem potência e faz uso quase que desesperador de falsetes (como em “Moon and Moon”); mas os produtores e artistas que a auxiliam fazem um bom trabalho no background – a mistura do gótico dos 80s com alguma coisa paquistanesa é de fato curioso. Vale a pena conferir.

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É difícil dizer para onde caminha a Moda e a Arte nesse final de década (sim, estamos no final da primeira década do séc. XXI, para quem ainda não percebeu). Algo que já passou, mas que na prática tem sido repetido over and over again é o chamado pastiche. Nos anos 80, com a onda efetiva que depois se costumou chamar pós-moderna, o trend teórico era abusar do retrô e de uma espécie de trompe l’oeil – imitar certos estilos enterrados pelo tempo ou aplicar a eles a técnica da bricolagem/colagem, como nas obras de Robert Rauschenberg. Isso, por incrível que pareça, saiu de moda no campo teórico – os arquitetos que falam em “pós-moderno” hoje são velhos que pararam no tempo -, mas está em pleno vigor na prática. Uma prova disso é o talentoso cantor Rufus Wainheart, que ultimamente andou combinando de modo certeiro o New Romantic dos anos 80 com alguma coisa de Luís XV (!). Isso mostra que a teoria e a estética acadêmica são profecias auto-realizáveis, mas que sempre erram ao se esquecerem de que o homem é um bicho extremamente conservador. Mesmo que seja para conservar o que os estudantes de Artes dos anos 80 achavam que era o último grito anti-vanguardístico (o pós-modernismo é um inimigo da vanguarda, e, nesse sentido, reacionário), e aquilo que hoje é considerado datado e superado.

Se observamos com cuidado a trajetória de Gerhard Richter, talvez o maior artista plástico vivo (como já tinha dito, ao menos o mais caro), podemos chegar seguramente à conclusão de que a arte contemporânea – ou melhor dizendo, a arte da próxima década – tende à sobriedade, ao domínio da técnica e, best but not beast, ao amor pelo conteúdo e pelo sentido (!). Sem uma busca pelo sentido, a arte deixa de ser arte – e parecemos estar percebendo o que isso significa. E deste modo caímos no culto ao tédio e ao vazio – em resumo, no arbitrário, que é o oposto da arte.

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Calling moon and moon
Shoot that big bad hand
It’ll drag me to your door
And I won’t see you no more

this is the beginning of forever

This entry was written by julio lemos, posted on 30 de novembro de 2009 at 7:29, filed under Arte and tagged , , , , . Leave a comment or view the discussion at the permalink.