S. P. gewidmet
/o/ Temos a propensão quase irresistível — está em nosso sangue céltico-ibero-gótico — de amar secretamente e odiar publicamente o lugar ond’estamos – seja ele nosso torreão natal ou não.
Vou quebrar essa atávica regra.
Da minha parte trata-se de São Paulo, com a qual tenho um affaire amoroso que se prolonga deliciosamente. Meus avós são (ou eram, em se tratando do meu saudoso avô) as pessoas mais ovo-lacto-paulistanas que conheci; minha avó contava das suas andanças das ladeiras da Penha aos casarões da Paulista e do Pacaembu, a pé ou de bonde – quando as mulheres de alguma posição usavam luvas e os homens levavam chapéus –, excursões das quais o perigo de assalto estava ausente; meu avô narrava sempre a sua passagem pela escola de contabilidade da Álvares Penteado, seu contacto com os clubes ingleses de futebol, com os cinemas dos anos 40-50 (ao menos na aparência, meu avô era o Dustin Hoffman), os discos de Frank Sinatra, os bairros repletos de italianos. Isso, mais a minha experiência desde pequeno, mais intensa desde o início do terceiro milênio, fez-me amar a cidade com todos os seus defeitos, que não são pequenos. Nada melhor do que circular pela Paulista depois do horário nobre e reparar que ainda há vida nas ruas, no sentido bergsoniano do termo. E, ahm, estamos falando, na minha opinião, da capital gastronômica mundial, embora disputem os doutores. Quem comeu na Europa – especialmente na Itália e na França – sabe que, apesar dos atrativos nessa matéria, a comida é pouca e por isso decepciona, afora as artimanhas dos donos de restaurantes (quem conhece sabe do que estou falando). E há os cafés, as cervejarias e os pubs, que fazem de São Paulo uma capital da conversa c/c bebidas. No geral as pessoas se vestem bem, estão conectadas com o resto do mundo – apesar de certo provincianismo – e sabem trabalhar e fazer dinheiro (na Alemanha essa é a fama da cidade entre os bem informados). Vamos deixar os problemas de lado, como os mendigos, os edifícios e monumentos deteriorados, o trânsito, as chuvas, etc, que isso não acaba mais. Sopesando a coisa, saímos ganhando. /o/ né non
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V. F. G. começa a sair com um cara de New Jersey apessoado culto rico (hora do asyndeton trimembre!) que lhe leva para jantar em Manhattan, dá-lhe de presente carros e jóias, pergunta sempre se está tudo bem, toca ao piano umas pecinhas lá do Erik Satie, lê Homero em inglês p’ra ela dormir, com ela planeja viagens a Hong-Kong e à Indonésia, controla paraísos fiscais, fica com ciúmes, ameaça-a de morte, compra uma arma, perde as estribeiras, dá socos contra a parede, perde o emprego, entra em depressão, espanca pessoas a esmo, pede divórcio e vê que o efeito é nulo, corta a mesa da sala com um machado, vira bicho, come rãs importadas, quebra o espelho, passa batom e assiste à obra completa de Star Wars, enfim um filho da puta desde sempre.
This entry was written by , posted on 3 de fevereiro de 2010 at 20:02, filed under Geral and tagged canalhas, Homero. Leave a comment or view the discussion at the permalink.
Ahm, ninguém lê blogs nessa época. Mas como já é quase dia 2/01, feliz ano novo e tal. Feliz aos que vivem, feliz aos que morrem. Feliz feliz pra vocês.
(Para se divertirem com colagens e citações muito bem escolhidas: Aulos de Euterpe, blog anexo da Fernanda Vaz).
Tive uns dias de festa um pouco estranhos, apesar de alegres (o ponto alto foi Super Mario World). Falta sempre alguma coisa; desta vez o essencial. Ainda vou ali pescar trutas (propósito de 2009), reler Steinbeck e terminar alguma coisa do Chesterton (volume XIV das obras completas) que comecei; terminar o livro que estou escrevendo, talvez só ano que vem; terminar a “busca pela resposta à pergunta”: é possível escrever um bom romance no séc. XXI? Resposta de um amigo: “para o Hades a cultura, o entorno, o povo brasileiro. Basta escrever um livro bom e pronto”. É a melhor até agora.
Incorporar o seguinte modus loquendi:
A: O show foi demais.
B: Né?
I be dog se esse negócio não é sensacional. I be dog. Terminei o Moviegoer do Walker Percy: chorei, morri. Aquilo é escrever um livro. E decepcionado com o velho Faulkner: quase joguei pela janela o Sanctuary junto com o marcador de página, que vale mais do que o romance.
This entry was written by , posted on 1 de janeiro de 2010 at 22:13, filed under Geral and tagged sentimentalismo. Leave a comment or view the discussion at the permalink.
Devido a algumas sugestões de leitores conscienciosos e prestativos, estou reformulando completamente o layout do blog, a fim de dar privilégio a uma leitura fácil e eliminar alguns elementos dispersivos.
Não se assustem, mas tudo vai mudar completamente. Como isso requer algum conhecimento de programação em CSS e não sou nenhum perito, preciso de tempo e compreensão. Stay tuned.
This entry was written by , posted on 28 de outubro de 2009 at 7:52, filed under Geral and tagged modernidade. Leave a comment or view the discussion at the permalink.
O feliz nova dieta em nova fase. Stay tuned.
This entry was written by , posted on 8 de outubro de 2009 at 8:06, filed under Geral and tagged lançamento. Leave a comment or view the discussion at the permalink.
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