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Fazer o que, a vida é mais interessante do que a Internet.

Retorno Espiral (Victor Lazzarini, piano e sintetizador; Guto Caminhoto, baixo elétrico; Eduardo Battistela, bateria; Wagner Nogueira, percussão), do projeto jazz-fusion Essência.

Isso é o que eu ouvia quando tinha uns 5 anos, na Sala de Estar Lado B (ou Número Dois) do apartamento dos meus avós, o Ed. Independência, em Londrina-PR, perto daquela catedral de gosto duvidoso. Quando compôs essa música, o irmão da minha mãe — o caçula geninho de cinco irmãos — tinha 15 ou 16 anos; o registro foi encontrado numa antiga fita K-7. Agora entendo de onde vem meu gosto estranho por música, e porque sempre admirei a mistura do clássico com o fuzzy: a sala ao lado, chamada Escritório, estava cheia de poltronas de couro, estantes, madeira escura e papéis de parede. Ali se podia ouvir música e assistir ao noticiário nos anos 70-80. A Cozinha ficava atrás do Hall de Entrada, acessada através da Sala de Jantar. Grande tristeza veio quando o apartamento foi vendido e trocado por um muito menos simpático e muito mais moderno. Ali morei por uns 2 anos, antes de me mudar para o Velho Oeste.

Alguns anos depois, ele compôs

silêncio partitura

para piano (no link da partitura, a Introdução, Fuga & Passacaglia), uma peça difícil mas bastante audível, que nunca vi executada ao vivo. Vale a pena conferir. Dá pra ver que ele odeia Paganini (dá?).

* * *

Poucos se interessam pela Teoria dos Números; a razão é que quase ninguém estudou isso no colégio, e no máximo de passagem numa faculdade de matemática. Por algum motivo — talvez por ser, no início, mais acessível e aparentemente menos complicada do que as demais áreas da matemática pura –, o assunto tem fascinado matemáticos amadores desde os tempos de Pierre de Fermat (1601-1665), um advogado francês (o sujeito conhecido por deixar um enigma anotado em sua cópia de um antigo clássico da matemática, a Aritmética de Diofante, o chamado teorema de Fermat, segundo o qual a igualdade xn + yn = zn para n inteiro, positivo e > 2 nunca se verifica (sendo também x, y e z inteiros e positivos), o que só veio a ser provado nos anos 90), homem genial responsável por contribuições relevantes no campo do cálculo infinitesimal e da teoria da probabilidade.

Encontrei um livro interessante, Excursions on Number Theory, de C. S. Ogilvy, da Oxford U. Press (trechos aqui). Pode ser uma boa e acessível — inclusive no preço, em se tratando de um livro da Oxford — introdução a esse universo a um tempo desconhecido e familiar.

This entry was written by julio lemos, posted on 19 de maio de 2010 at 14:29, filed under Música, matemática and tagged . Leave a comment or view the discussion at the permalink.