F E L I Z N O V A D I E T A | juliolemos.com | filosofia/literatura/design/zukunft

Lomografia

Para quem não conhece, a Leningradskoye Optiko Mechanichesckoye Obyedinenie, mais conhecida como LOMO, é uma fabricante de câmeras e outras coisas anexas fundada em 1914 na cidade que hoje se chama São Petesburgo; atualmente LOMO PLC. Ela meio que criou todo um ‘estilo’ visual de fotografia, mais tarde elevado ao status de cult e apelidado Lomografia, segundo os moldes da câmera Lomo LC-A, barata e com um visual meio militar e nostálgico, introduzida no mercado em 1984 e retirada em 2005 (substituída pela Lomo LC-A+, que já não permite regulagem manual da velocidade). Ainda é possível entrar no mundo da Lomografia — basicamente pelo resultado final das fotos, que é bastante interessante e bonito — comprando uma câmera nova (acredito que são feitas na China, atualmente) ou usada. Mas será necessário encontrar um lugar para comprar os filmes adequados junto com a sua câmera (por exemplo na Lomography). >Créditos à minha revisora, que entende do assunto<.

Para quem gosta de fotografia digital, FIKADIKA: há um app para o iPhone chamado LOMO Camera, da Westarting Studio, que simula muito bem a Lomo LC-A de 1984 e custa menos de 3 dólares. E então você vai acordar delícia o nostálgico weirdo de vanguarda que há em você, meu bom mulato.

Postado por admin, em 8 de fevereiro de 2010 às 11:59, arquivado sob Fotografia. Deixe um comentário ou participe da discussão em permalink.

Duff and Scuff

Hello I’m Duff, one of them siamese brothers who happens to have been gently cut off from his soul mate. Scuff is the soul in question; he’s nice and smart, he reads japanese poetry and cooks like Sunday morning. We used to spend the night-time discussing our fuzzy and half-darken relationship.

Now for what the Thunder In Me said:

Scuff, you’re a monster, a good monster I say. The sort of monsters the Romans did not have the chance to get to know (godlessness and pitonization is our fate – our guts utter nonsense, our guts divine), all of them having been put to death at the top of those cliffs so full of unmelted snow, miles away from the Aventine. You understand? For I’m no monster at all. I can’t read japanese and I’m not a damn fag. Remember the times we used to write to each other? Long letters to one’s own siamese brother, damn it. Yours always carefully written, correct, stylish, mine uneducated and gross (which humiliates me). I’m not angry, though. But do you get it, the reason we never fought? And out of the blue this cutting off, this division so much of  joy deprived, this shameful divorce. What did happen, Scuff? Why the decision, why the derision? The contract which never existed has been breached.

So close, faraway. Our secret deeper than the secret which separates two complete strangers.

Postado por admin, em 4 de fevereiro de 2010 às 15:25, arquivado sob Contos. Deixe um comentário ou participe da discussão em permalink.

Surpresas e decepções

S. P. gewidmet

/o/ Temos a propensão quase irresistível — está em nosso sangue céltico-ibero-gótico — de amar secretamente e odiar publicamente o lugar ond’estamos – seja ele nosso torreão natal ou não.

Vou quebrar essa atávica regra.

Da minha parte trata-se de São Paulo, com a qual tenho um affaire amoroso que se prolonga deliciosamente. Meus avós são (ou eram, em se tratando do meu saudoso avô) as pessoas mais ovo-lacto-paulistanas que conheci; minha avó contava das suas andanças das ladeiras da Penha aos casarões da Paulista e do Pacaembu, a pé ou de bonde – quando as mulheres de alguma posição usavam luvas e os homens levavam chapéus –, excursões das quais o perigo de assalto estava ausente; meu avô narrava sempre a sua passagem pela escola de contabilidade da Álvares Penteado, seu contacto com os clubes ingleses de futebol, com os cinemas dos anos 40-50 (ao menos na aparência, meu avô era o Dustin Hoffman), os discos de Frank Sinatra, os bairros repletos de italianos. Isso, mais a minha experiência desde pequeno, mais intensa desde o início do terceiro milênio, fez-me amar a cidade com todos os seus defeitos, que não são pequenos. Nada melhor do que circular pela Paulista depois do horário nobre e reparar que ainda há vida nas ruas, no sentido bergsoniano do termo. E, ahm, estamos falando, na minha opinião, da capital gastronômica mundial, embora disputem os doutores. Quem comeu na Europa – especialmente na Itália e na França – sabe que, apesar dos atrativos nessa matéria, a comida é pouca e por isso decepciona, afora as artimanhas dos donos de restaurantes (quem conhece sabe do que estou falando). E há os cafés, as cervejarias e os pubs, que fazem de São Paulo uma capital da conversa c/c bebidas. No geral as pessoas se vestem bem, estão conectadas com o resto do mundo – apesar de certo provincianismo – e sabem trabalhar e fazer dinheiro (na Alemanha essa é a fama da cidade entre os bem informados). Vamos deixar os problemas de lado, como os mendigos, os edifícios e monumentos deteriorados, o trânsito, as chuvas, etc, que isso não acaba mais. Sopesando a coisa, saímos ganhando. /o/ né non

* * *

V. F. G. começa a sair com um cara de New Jersey apessoado culto rico (hora do asyndeton trimembre!) que lhe leva para jantar em Manhattan, dá-lhe de presente carros e jóias, pergunta sempre se está tudo bem, toca ao piano umas pecinhas lá do Erik Satie, lê Homero em inglês p’ra ela dormir, com ela planeja viagens a Hong-Kong e à Indonésia, controla paraísos fiscais, fica com ciúmes, ameaça-a de morte, compra uma arma, perde as estribeiras, dá socos contra a parede, perde o emprego, entra em depressão, espanca pessoas a esmo, pede divórcio e vê que o efeito é nulo, corta a mesa da sala com um machado, vira bicho, come rãs importadas, quebra o espelho, passa batom e assiste à obra completa de Star Wars, enfim um filho da puta desde sempre.

Postado por admin, em 3 de fevereiro de 2010 às 20:02, arquivado sob Geral e com as tags , . Deixe um comentário ou participe da discussão em permalink.

Razão e sensibilidade

“Só encontra o sentido, esse vizinho inatingível”, disse ela, “quem enfrentou a sua ausência de modo prolongado”.

Culturas antigas — pensem nos ameríndios, ou não pensem — proveram rituais, rotinas, costumes; eram ‘habitualidades de sentido’ cristalizadas em formas sociais, no sentido mais radical do termo. A figura do líder tinha sempre a grave tarefa de não mexer com o fundo das coisas, mantendo implícita a sua absoluta ausência de questionamento (sejam quais forem as doutrinas em voga sobre os tabus). É um dever moral, um escudo contra a dissolução, a decadência, a corrupção. Esse mesmo personagem transmitia, com segurança, o mencionado senso de dever aos mais jovens. Assim o sentido entrava na tradição.

As sociedades pós-industriais (com o perdão do termo) continuam insistindo na mesma idéia; a tarefa, contudo, se tornou muito mais árdua: o trabalho, os ciclos institucionais, as superstições dificilmente dão conta de dar a cada um a sua parcela de sentido. Basta conhecer o Japão; é entrar numa universidade, formar-se, entrar numa empresa, casar-se, ter filhos e envelhecer. E depois? E depois? Qualquer um que questione esse ciclo radicalmente acaba por se isolar: “não quero entrar nesse barco furado no qual meus pais entraram”, dizia um estudante anônimo. E então jogar videogames e receber o sushi por debaixo da porta. O entretenimento é aí encarado como atitude de contestação, embora se saiba que a infelicidade da diversão eterna é maior do que a produzida pelas rotinas socialmente fixadas. O entretenimento se torna então o centro para o qual tudo converge, fonte inextinguível de tédio e desejos não atendidos. Moda, música, jogos, sexo fácil, comportamentos de massa — incluso o sentir-se parte da minoria da minoria e lograr entrar para o menor rebanho do universo – fringe religions, compras, fusões, incorporações, joint ventures.

A gente ama tanto que precisa ir fazer compras. A ausência da vírgula é proposital (find the missing coma! it’s a game!).

Postado por admin, em 1 de fevereiro de 2010 às 9:42, arquivado sob Filosofia e com as tags , . Deixe um comentário ou participe da discussão em permalink.

Aviso

Amici, coisas bizarras acontecem: estou deixando a vida acadêmica full-time e devo advogar a maior parte do tempo a partir de meados de fevereiro. Além disso fui convidado, com o que fico imensamente honrado, a ser colunista quinzenal do prestigioso OrdemLivre.org, um projeto global da Atlas Economic Research Foundation em cooperação com o Cato Institute que não recebe, de modo algum, qualquer financiamento estatal (uhu).

Este blog continua firme, mas é provável que volte ao esquema semanal de sempre (você estavam estranhando, aposto, a freqüência praticamente diária). Além disso, continuo como webmaster e articulista na Dicta online, afora os artigos e traduções para a revista impressa e a coluna Feliz Nova Dieta (morri).

Postado por admin, em 29 de janeiro de 2010 às 9:23, arquivado sob Avisos. Deixe um comentário ou participe da discussão em permalink.

The Fup Story

The old cunt came from Balliol College, Oxford, after having been by cruel means expelled from Blackfriars’s. He’d spend night’s taedious hours looking for something to do, like a human yo-yo. At times he would translate Pockoke back into Latin out of his own Chinese version. Anytime, anyway a bottle of Port and testosterone. But no matter what his world-acclaimed academic status would grant him no more than obtuse sighing and sonorous staring. His inner circle: an old dog, a little girl Sarah Buick with name and his sister Pengine.

I was eager to get in on it. I called him on September 27th:

Mate, you’re frieth. Wassa problem? Sarah got your notes about Pockoke and delivered it straight to the bartender. The bartender gave grave looks to it notwithstanding and passed it on to Louise. Louise fell in love with you, being a Satanist Geek and a Hoaxer. Then she showed it to Marly. Marly laughed as usual and delivered it to Professor Banged. Professor Banged ascribed it as homework for tha people, recognizable objective for the boys being to transform it into a soft and tong-to-cheek homoerotic short story. Well, one was ready to expect that some weak and vaporous Student would publish it (you know, we’re talking about the fuzzy Master of [Gamble] Arts course. NOT DPhil). And it did happen, by Jove. Goophy Jones, the said Student, have a Parody Random House Project called “Livros Mamãe” — I thing it has something to do with the Bantu people but I would not for the time being deliver any objectionable opinion thereof; then it was Pockoke translated into Gay. The reason why you’re frieth.

Wassa matter? The matter is he published it using your name as pseudonym. Hell of a good idea, nicht wahr? I bought it and wrote an essay called “How Oxford Saiu do Armário” (I got the expression from Brazilian Portuguese). Look, ’s bloody Time Magazine. Your face on it, charming and sweet and shemale-like. You’re hiding yourself from the public and had no idea what was going on. That’s it mate. So set your manuscript into flames like there’s no tomorrow and forget it.

Oh, I almost forgot. There’s an interview with you on Der Spiegel. I didn’t know you were teasing German little girls since you where five years old. Good God! The Interpol must be by now searching for a piece of evidence in your goddam laptop. Claim guilty! You got nothing to lose.

Postado por admin, em 26 de janeiro de 2010 às 15:50, arquivado sob Contos e com as tags . Deixe um comentário ou participe da discussão em permalink.

Azagtoth Dominé

Flannery O’Connor, a mulher dos nn duplos, disse certa vez que a matéria prima, o quark-gluon plasma da literatura é o pó de que estamos feitos; e que se um escritor não sabe disso, por experiência, o melhor seria nunca escrever. Há tempos não tomava conhecimento de um insight tão verdadeiro. E quem pensa que domina o assunto está dormindo como um maldito Smurf que só dorme.

A literatura xovem contemporânea, ingênua sem ter consciência disso — a ironia, o sarcasmo e as referências eruditas não isentam ninguém de ingenuidade — nunca topou com essa verdade (será o caso de David Foster Wallace? — vou ali conferir). Ou são gnósticos, por falta de formação ou caráter, ou caíram irremediavelmente no auto-engano. (Temos pena dos críticos, que diariamente recebem os seus livros. Porque como se não bastasse a dose intragável de niilismo que recebem dia após dia da televisão e da Internet, topam com ela no trabalho profissional: a career out, and made of, nothingness). Por isso o pastiche, a confusão estilística, a ausência de domínio da gramática. O público adulto passa por alto esses defeitos porque os têm eles mesmos. A massa dos críticos acaba por ser iludida — e justo quando estamos diante de uma classe formada por profissionais que, por vocação, deveriam ser lúcidos e muito espertos (Eliot é o exemplo supremo disso, malgrado suas pequenas falhas; de qualquer modo é sempre possível chamar Cyril Connolly, um autor ultrapassado mas necessário). Porque gosto sempre se discute quando saímos da arena dos Martinis e Brandys.

Se a matéria da literatura é apenas o jogo, o espírito boêmio do tempo e as sacadas espertinhas, então o melhor é ficar nos sitcoms e bancar o eterno Jacu. O humor sempre terá o seu lugar; mas o humor, sozinho, sem profundidade de campo, simplesmente deixa de ser interessante. A não ser que se tenha perdido antes a inteligência (esquecida, como sói, na Quinta Avenida entre prostitutas nanicas e canalhas bonachões).

Salvem o romance contemporâneo — isso eu digo lá fora, porque aqui ele já hibernou delícia — antes que ele volte para o domínio de Azagtoth.

Postado por admin, em 25 de janeiro de 2010 às 17:11, arquivado sob Literatura e com as tags . Deixe um comentário ou participe da discussão em permalink.

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